Nunca a amargura tenha raiz brotando em nosso coração, antes ações de graças segundo o exemplo de Habacuque,
ainda que não haja... Eu me alegrarei no Deus da minha salvação. (3.17-19).Uma amiga foi a nossa casa com algumas faturas de usufrutos indispensáveis a qualquer pessoa que vive em urbanização. Ela estava aflita, não tinha como pagá-las e pediu-nos que orássemos sobre elas. Fizemos uma oração objetiva e rápida. Ela se foi com a tristeza de eu que não havia orado com empenho, mas “não é pelo muito falar que somos ouvidos e tampouco por gritar”. Dirigiu-se ao banco, ai estava a surpresa, alguém havia depositado um boa quantia na sua conta. Mais tarde ficou sabendo que seu filho, imaginando que ela ‘poderia’ estar necessitando, fez o presente.
O emprego do meu marido chegou depois de um diálogo com Deus na mais completa intimidade, onde Deus se revelou dizendo-lhe claramente o que esperava dele. Temos provado e visto que o Senhor é justo e é fiel.
Minha avó estava com seus oitenta e tantos anos, quando com voz firme e forte, como se fosse ainda muito jovem, trouxe-me uma mensagem profética, terminando com um doce conselho: lendo a palavra conforto terás. Alguns membros da minha família que haviam se juntado a nós compartilhando a nossa dor, também foram consolados. Creio que dispensaria dizer que em momentos de crises a leitura da palavra tem trazido descanso para o nosso coração, refrigerando a nossa alma. Também ela tem nos ensinado a trilhar nas veredas da justiça.
Meu marido estava deitado na cama com uma dor de cabeça lancinante, muitas vezes ele prefere silenciar em momentos assim, é muito pessoal, por mais estranho e perigoso que pareça. Eu estava em outro lado lendo a bíblia, Deus havia ministrado ao meu coração e eu estava enlevada. Fui compartilhar com ele, ele estava de bruços, sentei-me na cama e li para ele a passagem que havia lido, (deveria haver anotado, não lembro mais qual) depois cantei uma música e sai silenciosamente do quarto. Não demorou, ele me chamou para caminharmos na praia, enquanto caminhávamos, ele me contou que estava na cama com uma dor insuportável e logo depois que saímos do quarto, ele voltou à forma.
Quando fui curada de asma, já os médicos não podiam fazer nada para aliviar meu sofrimento. Eu passava cada vez mais dias na cama que trabalhando. Eu sabia que a medicina não tinha cura para mim,
mas ainda que andemos por vales de sombras e de morte, ‘seja qual for a morte’ o nosso Redentor nos garante vida e vida em abundância.
Um dia, quando estávamos com uma turma do seminário fazendo evangelismo dois a dois, entramos em uma casa, sabíamos da opressão maligna que afligia o dono daquela casa. Logo ao entrar vimos um punhal no jardim e como não havia ninguém por ali tratei de esconder aquele punhal por baixo de uma pedra. A dona da casa nos fez entrar após nosso toque na porta. Algum tempo depois, já íamos orar quando o marido que estava no quintal da casa entrou calado e se sentou no sofá à nossa frente, eu estava acompanhada de uma seminarista. De pé fechamos os olhos; foi quando aquele homem, de um salto, colocou o punhal que eu havia ocultado medrosamente na minha garganta e perguntou: vai orar? Titubeei, por um segundo talvez, sentindo a lâmina no meu pescoço, apertei os olhos e orei firmemente por aquela família. Como aconteceu não sabemos, minhas emoções estavam a mil, mas quando abrimos os olhos aquele homem estava caído no sofá com o punhal na mão, e nós saímos
do vale da sombra e da morte consolados pelo bordão e cajado do nosso pastor. Já éramos três, porque um seminarista ficou perturbado em saber que estávamos naquela casa e foi ver o que era feito de nós.
Esta não foi a primeira vez que fui ameaçada de morte, trabalhando também com marginais tantos anos, outras ameaças sofri, mas os anjos do Senhor sempre nos cercaram como cita a palavra, e a Bíblia tem que SER em nossas vidas.
Os anjos do Senhor receberam ordens para nos guardar em todos os nossos caminhos (salmo 91). Em várias outras passagens da bíblia encontramos promessas semelhantes de proteção. Assim, também somos advertidos a
sermos sóbrios e vigilantes, porque o diabo, nosso adversário, anda em derredor, como um leão que ruge, procurando alguém para devorar. (1 Pedro 5.8).
Imagino o coração de Davi sendo ministrado pelo Espírito, levando- o a compor belíssimos salmos e banqueteando- se com a Trindade, enquanto demônios rugiam, agitavam-se violentamente, desejando destruir aquele rei segundo o coração de Deus, cuja unção descia-lhe da cabeça sobre todo seu corpo, todo o seu ser, transbordando o seu cálice, embriagando-o com as delícias do Espírito, fazendo seu rosto brilhar como brilhou o do profeta Moisés diante dos israelitas perplexos.
Talvez você já tenha passado, como nós já passamos tantas vezes, momentos diante de Deus, e de repente percebeu a presença de demônios a sua volta, tentando impedir que você se aprofundasse mais na intimidade com a Trindade, tentando lhe incutir pavor, desânimo, e quando você resistiu, levantou-se contra você uma verdadeira guerra espiritual, mas você venceu e ficou tão imbuído da presença doce, suave, pura, reconfortante da Trindade que só restou aos demônios permanecerem, se suportaram ainda, à distância, se contorcendo no seu ódio vendo o seu banquete. E você saiu dali sob a unção, com o coração (cálice) transbordante de tal maneira que sua maior alegria é a presença do Senhor (casa), para todo sempre.
Gosto de citar Agostinho: “Evangelize sempre, se necessário, use palavras.”
Ou seja, nós temos que ser a Bíblia Viva. As pessoas não querem saber o que a bíblia diz, mas o que Ela é em nós.
Muitas vezes questionei a afirmação de Salomão:
“ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.”(Provérbios 22.6) No entanto, ponderemos, será que a maioria dos pais não têm ensinado aos seus filhos apenas o que a bíblia diz sem exemplificar com os seus próprios procedimentos, distanciado-os assim, do caminho da vida? Lembremos de que
“É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer ‘qualquer outra coisa’ com que teu irmão venha a tropeçar ou se ofender ou se enfraquecer.” (Romanos 14.21).
Temos o exemplo do salmista Davi, que apesar de ser um homem segundo o coração de Deus, era um pai omisso, consequentemente, calamidades afligiram terrivelmente o seu coração. O sacerdote Eli, também admoestado por Deus quanto a educação permissiva que dava aos seus filhos, não acatando a palavra de Deus, viu a desgraça se abater sobre a sua casa e ministério. Por outro lado os filhos também são livres para optarem por outros caminhos, mas tendo o dever de respeitar sempre as regras naturais da família para a convivência sadia do lar. E aos pais cabe aguardar com paciência e longanimidade, em silêncio e intercessão e a restauração dos seus rebentos.
A bíblia ensina
que o marido deve amar a mulher como Cristo amou a igreja e que a mulher dever ser submissa ao marido. (Colossenses 3.18–Efésios 5.25). A responsabilidade de cada cônjuge em obedecer a palavra não pode depender da conduta do outro.
Se os argumentos não são suficientes para levar o esposo (a) ao reconhecimento dos seus erros, resta um caminho:
“ser criterioso (a) sóbrio (a) a bem das suas orações.” (1 Pedro 4.7). Orar é o caminho. Esta senda eu creio que só não funciona se o amor de um dos dois e/ou dos dois houver morrido efetivamente e ainda assim se não houver neles e/ou nele(a) disposição para buscar em Deus, que é a fonte de todo bem, a restauração do amor.
O Senhor é o meu pastor e nada nos faltará mesmo!