segunda-feira, 28 de abril de 2008

PAI!



Abraça-me como Pai e não como Deus ou Senhor.
Deixa-me apoiar meu rosto em Teu peito e ensopá-lo de lágrimas.
Já me afogo no meu pranto, enrouquecida estou do meu lamento.
Meus olhos afundaram no intumescido pelas lágrimas.
Meu coração anseia a Tua, somente a Tua presença.
Nenhum consolo poderia me dar alento se não diretamente de Ti.
Minha esperança teima em fugir como um pássaro assustado.
Agarro-me a ela com todas as forças que ainda me restam.
Sem ela o que seria de mim no passar dos dias?
Romper-se-ia minha vida como um frágil vaso de cristal
Dormiria o sono eterno de todos os mortais...
Antes que o meu cálice vermelho de odor irresistível se esvaziasse
Seria em meio aos meus dias como uma abortada pela vida.
Dá-me Tua vida de exuberante alegria para que eu Te louve.
Quero dançar e sorrir ao som de instrumentos variados.
Quero embriagar-me com o gozo dos Teus carinhos.
Deixa Tua doutrina jorrar em meu coração,
Diluir toda escória e embranquecê-lo até a transparência.
Quero que o meu viver se confunda ao Teu, e seremos Um.
Aquieta este meu desassossegado coração, trazendo-me paz.
Envolve-me na Tua paternidade, e não me deixes órfã.
Preciso da Tua sabedoria destilada embebendo todo meu ser.
Tenho sede de Ti, meu coração está ressequido, o sol me queima.
Não há sombras pelo meu caminho, os meus pés vacilam.
Desfalece a minha alma suspirando pela Tua presença.
Não Te demores mais, amigo da minha alma, dá-me vida.
Abraça-me como Pai, sou Tua filha, o Teu sangue está em mim.
Estou atada a Ti por laços eternos que não se podem romper.
Pai, Pai, Pai. Sou Tua filha, Tu me gerastes!
Pra. Guiomar Barba.



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