quinta-feira, 22 de maio de 2008

NOSSA EX-MINISTRA MARINA




(Recebi esta carta do meu amigo pastor André fazendo suas considerações, e o desabafo do Pr. Ricardo Gondim sobre a ex-ministra do Meio ambiente).
Guio,
A Marina Silva, sempre me inspirou profundamente como pessoa por sua conduta ética, guerreira e serena e claro por todo o seu passado! Tenho muito respeito pela sua conduta como cristã nesse meio de lobos. Bom se 10% dos políticos evangélicos fossem como ela é, sem falcatruas, sem ostentações, sem manipulação da massa evangélica!
Sempre percebi como os evangélicos nunca deram muita importância para ela e eu atribuo essa falta de importância ao fato dela nunca se utilizar da condição de evangélica para se eleger a nada, como foi o caso de tantos e tantos que assim o fizeram, enganando muitas pessoas incautas e sem percepção do que está por trás daquele político vampiro com título de evangélico!
Sua luta pela preservação do meio ambiente também parece ser algo que não importa muito ao mundo evangélico.
Também é muito salutar que ela não se utilize dos jargões evangélicos para nada, ela simplesmente é e fez o que de maneira tão tolhida lhe foi possível fazer!
De fato é uma das poucas personalidades na política que me orgulho e não tenho vergonha!
É daquelas que gostamos de saber: esta professa o nome do Senhor!!!
Beijos,
André Soares
21.05.2008 Marina, minha irmã de fé.
Ricardo Gondim.


Já fazia algum tempo que não sentia simultaneamente orgulho e tristeza pela postura de algum evangélico. Refiro-me à demissão da ex-ministra Marina Silva.

Eu a conheci pessoalmente em um evento sobre fé e justiça onde partilhamos nossas idéias. Mas fora os abraços formais de despedida, nunca mais tive qualquer contato com a senadora.

Guardo, porém, uma admiração profunda por esta mulher. Para mim, Marina Silva faz parte do seleto panteão das pessoas extraordinárias. Sua conduta e testemunho de vida no Ministério não foram apenas impecáveis, mas inspiradores. Marina foi um Davi que nunca se acovardou diante de inúmeros Golias. Ela enfrentou a volúpia dos encastelados no poder, a gula desenfreada dos latifundiários da Amazônia, o rolo compressor dos cartéis internacionais e a irresponsabilidade de tecnocratas míopes, que só analisam gráficos. No Ceará, dizemos que gente assim é “madeira de lei.”

No “Painel do Leitor” da Folha de São Paulo de 16 de maio de 2008, Stalmir Vieira escreveu sobre a demissão de Marina: “No mundo encantado do poder, ocupado por ex-subversivos e ex-torturados, hoje bochechudos, rosados e de cabelos bem arranjados, o único papel que caberia a uma mulatinha magrinha, que jamais aceitou abandonar suas origens, seria o de servente. Ela não topou”.

Não penso só em Marina Silva quando lamento a sua demissão, mas nos rios, nos santuários ecológicos que se degradarão, nos mognos contrabandeados. Estou triste pela chuva ácida, pelos plásticos boiando, pelos aeroportos interditados com fumaça. O governo preferiu perder uma cabocla para prestigiar um “drag-queen cultural”. O acadêmico que vai tocar o PAS (Plano Amazônia Sustentável) veio do Norte, não sabe a diferença entre um papagaio e uma arara, e fala com sotaque de gringo – parece um missionário que faltou às aulas de português. Marina Silva nunca desaprendeu os regionalismos. No dia em que sentei do seu lado, não me senti perto de uma ministra, mas de uma nortista cheia de brios.

O empobrecimento ético dos evangélicos é notório e Marina Silva destoa. Portanto, quando não der para sentir orgulho dos crentes brasileiros, nos inspiremos em nossa irmã.
Soli Deo Gloria.


Concordo plenamente com nossos queridos pastores e sinto a dor de havermos perdido uma ministra de moral ilibada, diga-se a verdade: espécie em extinção. Pra. Guiomar Barba.



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Um comentário:

rafael disse...

Sem comentários a respeito da postura e da seriedade dessa grande mulher de Deus.
A rejeição dela na politíca é lógica e esperada. A estrutura da nossa sociedade é extremamente conservadora, além de bastante influenciada por toda sorte de entidades espirituais malignas. Na verdade, mudanças de fato não devem ocorrer. É permitida apenas a acomodação de situações e pessoas a uma realidade macro organizada para atender interesses privados. O repúdio e a restrição de poder sofridos pelos que, de fato, defendem o bem comum são, portanto, inevitáveis a nossa condição organizacional. Muitas Marinas precisam se levantar - não só no âmbito dos cargos políticos, mas também em todos os outros setores da sociedade - para que a estrutura organizacional que agora está em vigor seja destruída e outra, mais justa, tome lugar.
É imprescindível, no entanto, o clamor da Igreja de Cristo, para que transformações espirituais aconteçam.

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