segunda-feira, 19 de maio de 2008

SEJAMOS LONGÂNIMOS


Tenho estado atenta às vozes que clamam contra pastores que enclausuraram Jesus dentro de quatro paredes e criaram ditames para os seus seguidores, estando preparados para punir ao seu bel prazer qualquer ovelha que deslize; atenta também aos pastores que vivem sob a máscara de santidade e, no entanto, estão corroídos por pecados que se ocultam nos recônditos dos seus corações e arbitrariamente, ao ensino da palavra, dominam o rebanho como se fosse propriamente seu.

Nasci em um lar evangélico, meu pai era pastor de uma igreja pentecostal, linha de ferro. Lembro-me que um dia, lá do púlpito, ele me ordenou que desfizesse o rabo de cavalo que estava no meu cabelo. Com as lágrimas rolando pela minha face, sob os olhares de vários membro deixei que minha mãe, que estava ao meu lado, desfizesse o penteado.
Lembro-me que jogar Ioiô era pecado, ir a um parque de diversão, cinema, assistir televisão, nem pensar. Meu Deus, poupo meu leitor de saber por que sofri uma disciplina da igreja, que consistia em ficar suspensa da santa ceia, até receber uma comissão em casa, demonstrar arrependimento pelo “pecado” cometido e retornar a convivência dos “santos”.
Foi exatamente após esta disciplina que, me sentindo totalmente injustiçada, decidi romper com a tradição religiosa e, por falta de um conhecimento claro do caminho, abandonei a igreja, mergulhando de cabeça no mundo mesmo. Como eu acreditava plenamente no evangelho antes de abandonar tudo que eu cria, ainda me envolvi com uma igreja batista tradicional, que me acolheu com amor, mas, por ser menor, foi solicitada à minha mãe permissão para que eu fizesse parte daquela congregação, mas ela foi taxativa: ela vai ficar na pentecostal. O que ela não pôde ouvir foi o grito do meu coração: nem aqui e em nenhuma... Durante longos nove anos e meio me alimentei das alfarrobas e das amarguras contra o farisaísmo da igreja. Quanto desperdício...

Mas com esta exposição trago à memória o caminhar não só do meu pai, mas também de outros pastores e irmãos que conheci. Homens e mulheres que amavam ao Senhor na sua ignorância. Falo principalmente do exemplo de casa, meu pai era um homem comprometido com os pobres, com a alma dos pecadores, pôs sua vida em jogo muitas vezes para salvar almas do inferno. Lembro-me de seus gemidos, várias vezes ao dia junto com minha mãe ou só, com a porta do quarto fechada. Lembro-me como o criticaram por negligenciar a família no que concerne a procurar meios econômicos para nos oferecer uma vida melhor. Ele vivia em função de evangelismo no sertão de Pernambuco, nos lugares mais inóspitos, e quando chegava em casa parecia um garotão sentado no chão com os filhos contando sobre as matutices das pessoas com quem ele trabalhava e amava. Nunca o vi em busca de crédito humano ou preocupado com estrelismo. Seu exemplo de amor e dedicação resultou em que seus filhos, hoje, abraçassem o ministério: cinco de nós somos pastores e dois são atuantes nas igrejas onde congregam.

Recebi hoje o convite de um pastor para dar palestra e pregar em um mini-congresso para mulheres em Sergipe, Em meio às coordenadas, ele me perguntou se eu lembrava quando estive na sua cidade e ele com outras pessoas me criticaram pelo cabelo curto... Realmente não me lembrava, mas lhe adverti que eu havia cortado recentemente meu cabelo, e ele contestou: não irmã, agora é diferente, tenho outra visão.

Conversando com um pastor das Novas Assembléias muito recentemente, ele, com lágrimas, me disse: “irmã, eu estou mudando, eu não tinha coragem de ficar sem camisa, de pôr uma bermuda, de bater uma pelada na praia, não podia nem pensar em mulher no púlpito, era muito exagerado em “não-podes”, mas Deus está me ensinado a amar”. Aleluia! Nós conversamos várias vezes sobre muitas coisas que se referem a usos e costumes e sempre tínhamos desentendimentos, mas, agora posso testemunhar que realmente ele tem aberto o seu coração para mudanças, não só ele, mas muitos outros que conheço têm reconhecido que estavam vivendo os seus evangelhos.

Portanto, tenhamos cuidado ao vociferar contra estes supostos “fariseus”, para não estarmos caindo no pecado de julgar segundo a vista dos nossos olhos ou ouvir dos nossos ouvidos. Jesus tinha autoridade para chamar pelo nome o pecado que estava no mais profundo do coração dos falsos cristãos ou seguidores da lei, porque Ele conhecia o interior do homem e também as suas pretensões, mas, nós, ao julgarmos, poderemos estar condenando ao inferno, em nome da nossa visão clara e aberta, o trigo que ainda não foi separado do joio pelo dono do reino e, em conseqüência, agindo como verdadeiros fariseus hipócritas, criticando os seus procedimentos em detrimento deles.
Portanto, se queremos que a igreja de Cristo seja purificada, não devemos aborrecê-los, como se não fizéssemos parte dela, como se estivéssemos de fora, como meros espectadores aptos para fazer o julgamento apenas, mas sim, como parte do corpo, devemos chorar e gemer pelas feridas que corroem como câncer a igreja, oferecer nossos talentos como oferta Ao Senhor, para que Ele possa contar conosco na restauração do corpo e tabernacular em nós com alegria.
Pra. Guiomar Barba.



Subscribe to Our Blog Updates!




Share this article!

2 comentários:

Mauricio Abreu de Carvalho disse...

Oi Guiomar
A convivência com pessoas que amamos apesar das diferenças doutrinárias nos torna ricos em misericórdia. Aprendemos que mais importante que doutrinas secundárias estão as pessoas.
Gostei muito de seu blog.
Um abraço.

Seminário disse...

Poderosas Palavras essas suas !! Que Deus possar usa-lo como um grande estrumento em suas mãos!!
Seminario Internacional Teologico de São Paulo

Retornar para o topo da Página
Powered By Blogger | Design by Genesis Awesome | Blogger Template by Lord HTML