quinta-feira, 10 de julho de 2008

O FILME






“Tu me sondas e me conheces, Tu me entreteceste no seio da minha mãe.”

Que segurança saber que Tu não me tratas segundo o que sou, mas segundo as Tuas misericórdias, que dia a dia se renovam sobre nós, os Teus filhos.
Quanta paz nos traz o saber que Tu sabes a causa das nossas mazelas, onde se deram inícios os nossos traumas e, por conseguinte, tens paciência conosco e nos amas incondicionalmente.
Jamais eu poderia entender porque teria tanto medo de casar se eu ansiava ter meu lar, meu marido, filhos, nem sequer sabia que fugiria da idéia de um registro civil, até quando fui pedida pelo meu namorado, de quem eu gostava tanto, em casamento. Que susto! Todo meu ser gritando que não, levando meu namorado a questionar minha atitude como irresponsável, já que eu não tinha uma justificativa coerente.
Terminamos, graças a Deus. Hoje posso agradecer, porque não seria ele o homem que Deus tinha para aquinhoar comigo uma vida conjugal.
O tempo passou, eu conheci realmente Ao Senhor e entreguei aos Seus cuidados esse passo tão sério que um dia daria em minha vida. Como Ele nos ama tanto e sabe o que é melhor para nós no coração de Pai, como é o do nosso querido Deus, Ele já havia escolhido em outro país, distante, aquele que haveria de unir-se a mim em amor e felicidade.
Conheci David, namoramos. Quando chegou o grande dia em que ele me propôs casamento, eu não estava preparada. O medo, as incertezas, a incógnita cerrou meu coração e a única resposta que eu tinha era: ainda não... Ele não desistiu, ele sabia que eu seria sua esposa, Deus já havia confirmado no seu coração essa certeza. Como Eliézer, servo de Abraão, ele pediu uma prova ao Senhor e O Senhor, que é O mesmo ontem, hoje e será eternamente, não lhe negou a petição e lhe respondeu segundo o que ele lhe propôs.
Deus trabalha com perfeição e coerência, portanto, Ele tratou comigo de forma maravilhosamente linda. Um belo dia, não lembro como, mas me passou na mente o “filme” da minha vida, conforme descrevo a seguir. Incrível.
Entre nove homens que nasceram aos meus pais, somente duas mulheres interromperam o curso da história da natalidade masculina. Tive uma criação machista, mamãe com a mentalidade de “Amélia, aquela que era mulher de verdade”. Meu pai, pastor evangelista, voltado para abrir trabalhos no sertão de Pernambuco, onde a pobreza era uma companheira impiedosa do sertanejo, e o que estava interiorizado no coração dele era o amor pelas vidas e não o lucro financeiro. Assim, vivíamos uma vida dura, de pobreza e muito trabalho doméstico.
Meus irmãos saiam para a escola, para jogar bola ou para suas diversões preferidas vindo para casa apenas nas horas das refeições ou quando tinham algum outro interesse.
Imaginem a quantidade de toalhas, meias, shorts e camisas sujas, sandálias, sapatos e objetos escolares espalhados para todo lado. Além de gavetas e camas para se arrumar, casa para se varrer, banheiro para lavar, roupa para passar e tantos outros afazeres que enchem a vida de uma dona de casa. Estes eram os entretenimentos meus e da minha irmã mais velha, já que homens “não deveriam fazer tarefas femininas”, ou seja, era o dever e sem nenhuma compensação, sem remuneração nem reconhecimento, o que realmente tornava a carga pesadíssima. Mas por favor, sem julgamentos contra minha família. Fomos vítimas de uma cultura que não morreu totalmente ainda hoje, pelo contrário, ainda existe em grande sucessão.
O mais precioso foi aquele filme passando lentamente em minha mente. E na medida em que ia se desenrolando como uma mágica, saneava o meu coração me trazendo também a visão correta sobre o lar, o casamento e a convicção absoluta que Deus me havia presenteado com o homem conhecido profundamente por Ele. Portanto, seria a pessoa certa. Meu marido continua confirmando para mim a cada dia, que a vida a dois não se embasa nos serviços domésticos da mulher, mas no compartilhar a vida entre duas pessoas que se amam.
Ele é aquele que sara as nossas feridas, destrói os traumas que nos aprisionam. Seus métodos são infalíveis. Pra. Guiomar Barba.



Subscribe to Our Blog Updates!




Share this article!

Nenhum comentário:

Retornar para o topo da Página
Powered By Blogger | Design by Genesis Awesome | Blogger Template by Lord HTML