quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A SAMARITANA, E NÃO MAIS UMA MULHER

“E nisto vieram os Seus discípulos, e maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher; todavia nenhum Lhe disse: Que perguntas? Ou porque falas com ela?”
Conheci uma moça que teve cinco namorados e todos morreram. Ela estava namorando um moço que eu conhecia de perto. Tomei a liberdade de perguntar a ele se não tinha medo de ser a próxima vítima. Ele riu e deu a entender que exatamente o mistério da morte lhe atraia para aquela garota sem beleza física ou inteligência brilhante. Não que defenda estes atributos como se fossem obrigatoriamente parte da escala de valores para um casamento bem sucedido. Mas, não podemos dizer infelizmente, que não tenha um peso para muitos, maior que o essencial.
Especulo que poderia ser um caso semelhante o daquela samaritana, que apesar de haver enterrado cinco homens, havia um adúltero que se repartia entre ela e sua esposa, extasiado talvez pelo mistério que a envolvia em sombras de morte.
Havia, no entanto, no coração daquela mulher, em algum lugar, um poço vazio. Seus maridos jamais puderam perceber. Quem sabe ela estava acostumada aos olhares interessados e curiosos dos homens que se indagavam o que teria aquela mulher para, mesmo a despeito de tanto luto, seguir encontrando alguém disposto a ser talvez a próxima vítima. No entanto, ela pode perceber no olhar de Jesus algo expressamente diferente de todos os olhares masculinos. Ele não olhou para seu corpo e nem para a morte que havia nela. Ele penetrou através dos olhos daquela mulher profundamente e desnudou o seu coração. Percebeu que a vida germinaria naquele corpo de morte. Quanto a ela, captou no olhar de Jesus que ali estava alguém que poderia dar-lhe muito mais do que homem algum já lhe havia oferecido; e um diálogo estranho foi travado: “Dá-me de beber. Como você, sendo judeu, pede água a mim, que sou mulher samaritana? Jesus responde: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é que te diz – Dá-me de beber, tu Lhe pedirias, e Ele te daria água viva”. E seguiu-se aquela conversa esquisita. Ao que parece, a samaritana realmente não havia entendido o sentido da oferta do Mestre, mas estava tão encantada com a pureza daquele estranho homem, que lhe diz: Senhor, dá-me dessa água, para que eu não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la. Deveria ser uma árdua tarefa ter que ir ao poço todos os dias em busca de água. Mas, que mistério teria na água daquele homem que ela não teria mais sede se a tomasse? Humanamente não existia nada igual. Entretanto, aquela mulher ficou tão emocionada diante de Jesus, creio que como Pedro no monte da transfiguração, maravilhado, sem saber o que dizer, falou: Mestre, é bom estarmos aqui; Se queres, eu faço três tendas, uma para Ti, uma para Moisés, e uma para Elias. (Mateus 17:4).
Lembro-me de certa vez que voltava para o Centro de Recuperação onde trabalhava, quando no caminho se me cruzou, também de bicicleta, um rapaz com intenções de paquera. Acercou-se a mim na tentativa... Imediatamente percebi que ele era viciado em drogas, então lhe interceptei oferecendo: vou para uma quebrada onde tem uma erva da melhor qualidade, você dá uma bola uma vez e fica “doidão” toda a vida.
O homem sempre em busca de algo que perdure. Ao exato momento ele aceitou sem questionar. Então comecei falar-lhe de Jesus, a melhor de todas as loucuras...
Aquela samaritana estava sedenta de uma água que salta para a vida eterna e não sabia. Ela deveria estar procurando há muito e, portanto, confiou naquele caminhante: “Senhor, vejo que És profeta. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar”.
Qual não foi a sua alegria quando Jesus lhe traz uma nova visão de adoração: “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade. Porque o Pai procura a tais que assim O adorem. Deus é espírito, e importa que os Seus adoradores O adorem em espírito e em verdade”.
Imediatamente, Jesus descobriu-lhe também sua vida privada, com perspicácia, e sem censura, levando–a não somente a confissão do seu pecado de que vivia com o marido de outra, mas também a reconhecer nEle um verdadeiro profeta que poderia lhe indicar o caminho a seguir. Tão grande foi a sua credibilidade em Jesus, que ela deixou todos os seus utensílios com que viera para buscar água no poço e correu para proclamar que havia encontrado O Cristo. (João 4:1-30).
Quantos dos homens cristãos trazem no seu olhar esta pureza do Mestre, a ponto de levar uma mulher a não se sentir apenas uma mulher? Pra. Guiomar Barba.



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