quarta-feira, 15 de outubro de 2008

NÓS TAMBÉM SOMOS RESPONSÁVEIS

Estou postando esta matéria não só pela sua importância, mas, também pelo fato de que me identifico com a mesma, podendo confirmar o conteúdo, uma vez que sofri na própria pele ameaças de um pedófilo com a intervenção protetora do seu pai que, falhando na missão de progenitor, estava disposto a tapar a “cratera” deixada, satisfazendo todos os desejos imorais do filho, que alimentava um caráter doente.
O que mais me indignou, foi quando, buscando os pais da criança, crendo que eram vítimas dos poderosos da cidade, descobri que eram dois monstros que geraram aquela menina e agora usufruíam do corpo que vendiam em troca de alimentos e outros benefícios. Fui rechaçada rispidamente. Lembro-me principalmente da perversa “mãe” da garota, que por pouco não me bateu, deixando quase atrás de si o “pai” da garota, que mais parecia um fantoche apoiando ela.
O salário do pecado é a morte. Depois de assassinar cruelmente a um arrimo de família ainda bem jovem, simplesmente por não obedecer a uma ordem injusta que satisfazia a sua perversão, finalmente ele foi levado para outra cidade a onde foi preso e também assassinado no próprio presídio. Guiomar Barba.
PAIS DESEJADOS E PAIS REAIS
Nesta manhã estava olhando a programação de um curso que estará acontecendo no Rio de Janeiro por estes dias e um dos assuntos abordados será: "Expectativas sobre o filho desejado e o filho real" (criança e adolescente na adoção).
Após um final de semana onde pude ouvir médicos, psicólogos, psicanalistas abordando o tema abuso sexual infantil, me pergunto sobre a expectativa da criança e do adolescente sobre pais desejados e pais reais.
Rosely Sayão em seu blog fala de uma infância inventada pelos adultos, que tem sido maltratada no mundo contemporâneo por aqueles que estão com tanta pressa de fazer as crianças crescerem.
O Dr. Lauro Monteiro nos trouxe relatos alarmantes. Em seu site há um artigo sobre a prostituição infantil onde ele deixa claro que criança não se prostitui, mas é prostituída (algo que ele enfatizou durante toda a palestra).
Em um trecho do artigo ele traz o seguinte relato: "Uma das mães, entrevistada pelo jornal, levava suas duas filhas para praticar sexo oral nas boléias dos caminhões e se lastimava ela de não ter mais filhas mulher, para obter mais dinheiro ou maior quantidade de frutas e hortaliças." Hoje, 16 anos após, tomamos conhecimento da vergonhosa situação da Ceagesp, e vimos que nada mudou. É desalentador. O atual secretário municipal da Assistência e Desenvolvimento Social, Paulo Sergio de Oliveira e Costa, classificou o problema como um "flagelo". Qual terá sido a palavra usada pelos secretários, seus antecessores? O fato é que parece que são todos meros expectadores, como somos nós, infelizmente. Uma vez que não temos o poder que eles têm. "Só tem uma solução para começar a mexer nisso: é preciso punir as mães", diz uma ex-prostitura de 43 anos que fez programa no local quando adolescente. "Todas elas sabem o que as filhas fazem e aceitam ser sustentadas por esse dinheiro. Isso não é vida."
Após assistirmos o filme "Anjos do Sol", algumas pessoas confessaram não ter esperança de que algo mude por acharem que não adianta bradar por socorro porque não há quem as escute.
Em um outro congresso assistimos um filme antigo do sociólogo Betinho onde ele narra a história do beija-flor e o incêndio. Talvez Betinho em nossos dias não usasse mais este exemplo, pois não basta apenas fazermos a nossa parte, é necessário convocarmos outros para que façam à diferença. O beija-flor julgava não ser seu problema apagar o incêndio, mas a floresta era a sua casa e não apenas sua, mas dos outros animais.
Certa vez recebi em nossa casa uma criança que havia sido espancada por seu padrasto e ao decidir "investigar" a situação e o "conselho" que recebi foi: "Fique longe disto, não é seu problema". Como não é meu problema?!
Ao abrir as escrituras sagradas encontro alguém dizendo o seguinte: "Ah! Meu coração! Meu coração! Eu me contorço em dores. Oh! As paredes do meu coração! Meu coração se agita! Não posso calar-me, porque ouves ó minha alma, o som da trombeta, o alarido de guerra. Com lágrimas se consumiram os meus olhos, turbada está a minha alma, o meu coração se derramou de angústia por causa da calamidade da filha do meu povo; pois desfalecem os meninos e as crianças de peito pelas ruas da cidade. Por estas coisas, que se afastou de mim o consolador que devia restaurar as minhas forças; os meus filhos estão desolados, prevaleceu o inimigo" (Jr. 4.19; Lm 2.11; 1.16).
Ao contrário da maioria dos profetas, Jeremias não se limitou a transmitir as visões que recebeu. Registrou também os próprios sentimentos. O profeta colocou no papel suas dúvidas, temores, frustrações e questionamentos – e, também, suas esperanças. Poucos teriam a coragem de abrir o coração de uma forma tão honesta como ele fez.
Mas não basta apenas registrar, não basta apenas lamentar ou tentar apagar o incêndio sozinha (o).
Alguns dias atrás saiu uma matéria no El País sobre as adolescentes senegalesas que sofrem amputação de clitóris e tem os lábios da vagina selados com espinhos de acácia. Essas meninas são levadas pelos próprios pais – uma prática que se estende por toda a África. Os partidários se apóiam no seguinte argumento: "Uma mulher sem desejo sexual é mais pura e mais limpa, e a única chave para isso é lhe tirar o clitóris".
A ativista senegalesa Khady Koita decide denunciar esta violência contra as adolescentes, mas não apenas registrar. Após fugir de seu país e se abrigar na França, ela decidiu voltar. Em sua entrevista Koita diz o seguinte: "Não digo às pessoas o que devem fazer; começo uma conversa com elas de vários dias. Não digo diretamente 'Você não deve mutilar sua filha'", explica. Embora Koita não tenha nenhum tipo de ambigüidade e indique que seu objetivo final é formar "cidadãos iguais, cidadãos inteiros".
Há poucos dias a senhora Marchon solicitou-me um relatório. Nele falo sobre a medicalização da vida (penso que algumas falas se encaixam perfeitamente neste contexto). Falei sobre a anelgesia geral. O "não é problema meu" nos leva a um entorpecimento que evita a todo custo qualquer tipo de dor. Este entorpecimento não impede a dor, mas sim a agrava em todos os sentidos ou em todo caso cobra-se o preço, talvez alto demais – o preço de alto grau de impotência e de vontade de viver.
Por amor a Deus entenda que a solução para o ser humano não está em tentar apagar o incêndio sozinha (o), não está na ajuda descompromissada. É evidente que não podemos estar em todos os lugares e ajudar a todas as pessoas – não se sinta culpado por não atender as expectativas dos outros. Mas penso que a solução está na reflexão, na crítica, na atenção a si própria e aos próprios sentimentos que possam de fato contribuir para o amor a vida. Para o sentimento de existir, pois somente a capacidade de criar e se pôr em movimento e a sensação de ser amado que está na capacidade que requer e podem trazer.
Este discurso talvez gere um debate entre os religiosos se perguntando onde Deus entra nesta história. Eu lhes digo que estão em formar cidadãos iguais, cidadãos inteiros. Num olhar para o próximo totalmente humano e jamais como moeda de barganha, como um objeto, um meio de atingir objetivos, afinal o outro somos nós mesmos.
Ao pensar em algumas crianças que já cruzaram o meu caminho. Ao tomar conhecimento de dores e aflições que atingem crianças e adolescentes, ao lembrar da expressão de seus olhares posso ouvir uma frase ecoar em minha mente:
"Deus está procurando mães intercessoras, pais intercessores, reparadores de brechas, guerreiros de oração, gente que não abre mão de ver os filhos salvos, cheios do Espírito e usados valorosamente pelo Senhor" (Hernandes Dias Lopes – Congresso Desperta Débora).
Os filhos são presentes de Deus. Através deles, o Senhor coloca em nossa vida a noção do milagre, um sentimento de admiração, uma convicção de que temos valor, prontidão para aceitar a responsabilidade. Deus nos dá filhos para restaurar nossa percepção de ser um filho de Deus, para podermos vivenciar a renovação da condição essencial para entrar no reino de Deus.
Somente incrédulos muito empedernidos conseguem manter a arrogância de ser criador, soberano e salvador diante uma criança. Segundo o Dr. Lauro Monteiro, muitas vezes um "predador" de seus próprios filhos.
Penso que a principal obrigação de nós pais deveria ser seres humanos (pessoas). Nossos filhos nos apresentam diariamente um "mapa" com padrões biológicos e emocionais que mostram o caminho para o crescimento na fé, que Paulo estimula a partir do modelo que Cristo vive por nós e em nós.
Mas não posso deixar de lançar um olhar aos pais que se encontram estagnados e deprimidos. Pais em que as maravilhas da vida se reduziram a banalidades e ela perdeu seu sabor. Encontram-se desiludidos. A força vibrante dos primeiros anos da vida adulta de seus filhos não conduziu ao sucesso total. Fracassos e decepções se acumulam. Mesmo quando há sucesso aparente, por dentro costuma existir sequidão, sensação de vazio e falta de esperança.
Os idéias e expectativas da juventude se transformaram em fadiga e no caminho esbarramos com estes que gemendo dizem: ""Ah! Meu coração! Meu coração! Eu me contorço em dores. Oh! As paredes do meu coração! Meu coração se agita!"
Para estes pais eu digo: Leve Deus a sério! Ele está mais interessado em você e em seus filhos do que você mesmo. Abra-se à força que Ele concede a Jesus Cristo. Peça ajuda.
Existem também igrejas que têm as chamadas "Escolas de Pais" – é um trabalho muito edificante. Existem movimentos de mães e pais intercessores. Não imagine que sozinha (o) você poderá apagar o incêndio.
Pai, imploro o teu favor de todo meu coração por aqueles que estão lendo esta mensagem. Tem piedade, segundo a Tua palavra. Que eles considerem os seus caminhos e voltem os seus pés para os Teus caminhos. Que se apressem, e não se detenham a observar os Teus caminhos. Pai, crianças e adolescentes espalhados pelo mundo são despojados, são afligidos e suas almas desfalecem. Os seus olhinhos desfalecem esperando que alguém os resgate de suas misérias. Livra-os daqueles que são amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, sem afeto natural, irreconciliáveis, incontinentes, cruéis, sem amor para com as crianças, orgulhosos e amigos dos deleites. Livra-os daqueles que tem aparência de piedade, mas que na verdade negam a sua eficácia Livra as famílias que vivem no interior do país e até mesmo nas grandes metrópoles da cegueira, pois muitos permitem que se introduza em suas casas homens que levam cativas as adolescentes e crianças, filhas de pais néscios carregados de pecados, levados de várias cuncupiscências. Esteja com estas crianças e adolescentes. Livra-os da angústia. Dê abundância de dias e lhe mostre a Tua salvação em o nome do Senhor Jesus Cristo.
Amém! Regina Lopes



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2 comentários:

Miss Cleusa disse...

Olá minha amada...é com tristeza que podemos constatar essa verdade, como disse Martin Luter King..."O que me incomoda é o silêncio dos bons"
Oremos ao Pai, para que sua misericórdia seja derramada sobre essas e outras criançasfazendo com que o balsamo do perdão se faça presente em seus corações amanhã.
Que a Justiça seja feita, embora muitos acreditem que não.

Deus vos abençõe

miss Celusa

Seminário disse...

Rico, inspirador e abençoado conteúdo deste post!!!
Abraço e continue sempre na abundante Graça!!!
Seminario Internacional Teologico de São Paulo

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