sábado, 18 de julho de 2009

DEUS E O TSUNAMI

Doeu-me o discurso do reverendo Tom Roney questionando o amor de Deus ao permitir o tsunami, e ao mesmo tempo me comoveu a profunda sinceridade com que foi capaz de dizer as suas ovelhas, depois de várias considerações, que não tinha resposta para si e por conseguinte, não teria para sua amada comunidade. Embora a despeito da sua insuficiência, a sua fé em Deus não desmoronou.
Sei que Deus não precisa de advogados que lhe defendam e nem mesmo o “advogado do diabo”, estaria apto a trabalhar em sua defesa; no entanto, assim como os de Beréia, é necessário para que desenvolvamos uma fé robusta, que questionemos e busquemos a luz do Espírito Santo um entendimento correto da palavra de Deus.
O Pr. Ricardo Gondim na sua revolta provocada pelas “informações da imprensa” e quem sabe também por outros meios, vocifera: “Mas mesmo horrorizado, tenho aprendido. Esses eventos tenebrosos me levaram a admitir que já não leio a Bíblia com as mesmas lentes. Abandonei a idéia de que os massacres do Antigo Testamento foram ordens divinas. Entendo que os genocídios relatados na Bíblia foram cometidos com as mesmas motivações políticas, com os mesmos interesses econômicos e com ambições nacionalistas iguais as atuais, mas atribuidos a um deus guerreiro. Não aceito que os "propósitos" divinos para o futuro estejam conectados à política militarista de Israel. Arrependo-me de ter, um dia, pregado que "Israel é o relógio de Deus" para o fim dos tempos.”
Aprecio as emoções do Gondim, no entanto, não podemos determinar que várias das guerras bíblicas não foram ordenadas por Deus, pelo simples fato de não havermos assimilado a perfeita soberania de Deus e que Ele trabalha visando a eternidade, e certamente com dor, é “forçado” a agir dentro das limitações humanas. No seu livro A Cabana, reflexiona William P. Young: “O mundo está partido porque no Éden vocês abandonaram o relacionamento conosco para afirmar a própria independência. A maioria dos humanos expressou isso se voltando para o trabalho das mãos e para o suor do rosto em busca de identidade, do valor e da segurança. Ao optar por definir o que é bom e o que é mau, vocês buscam determinar seu próprio destino. Foi essa reviravolta que causou tanta dor.” No entanto, ele considera: “A graça não depende da existência do sofrimento, mas onde há sofrimento você encontrará a graça de inúmeras maneiras.”
Além de nos sabermos seres finitos, contemplamos impotentes a finidade dos nossos entes queridos; a destruição do meio ambiente pelo próprio homem; a morte impiedosa de laboriadas invenções tecnológicas em favor de outras mais sofisticadas; extermínios em massa de seres humanos... Toda esta interminável cadeia de morte, quando fomos destinados a vida e “vida em abundância,” nos leva a uma nauseante visão de um Deus que no passado declarava guerra aos inimigos por mais cruéis que fossem. Esquecemos que a matéria humana por mais degradante que tenha sido a sua destruição, ela é apenas o tabernáculo do nosso espírito que estando reconciliado em Cristo, com a morte do corpo volta para os eternos braços do Pai, onde a vida não conhecerá finitude jamais.
É intrigante, perceber que essas mesmas pessoas que sofrem tanto com certas tragédias, são tão agressivas; humilham com tanto sarcasmo, até mesmo outros colegas, pelo simples fato de discordarem publicamente de alguma de suas visões “pura e simplesmente” teológicas sobre determinado assunto. E por certo, tratariam da mesma forma ainda que fosse uma multidão, que defendesse outro credo que não seja o seu. A guerra fria é tão nociva...
Já questionei centenas de vezes as guerras bíblicas, os genocídios, e disse a Deus muitas vezes entre soluços e dor que não poderia jamais compreender suas razões e justiça. No entanto, afirmar “que os genocídios relatados na Bíblia foram cometidos com as mesmas motivações políticas, com os mesmos interesses econômicos e com ambições nacionalistas iguais as atuais, mas atribuídos a um deus guerreiro”, seria caluniar os nossos santos profetas, que vezes após vezes arriscavam as suas próprias vidas à fúria de reis, anunciando o castigo de Deus contra seu povo através de nações ou contras nações através de Israel. A exemplo: Por isso, O Senhor fez subir contra ele o rei dos caldeus, o qual matou os seus jovens à espada, na casa do seu santuário; e não teve piedade nem Dos jovens nem das donzelas, nem dos velhos nem dos mais avançados em idade; a todos os deu em suas mãos. (2 Crônicas 36:17). Sentenças semelhantes se repetem por todo o Antigo Testamento, não vamos negá-las por nossa incapacidade de compreensão. “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?” (Romanos 11:33).
Deus entregou efetivamente o mundo nas mãos do homem desde a sua criação: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar; sobre as aves do céus e sobre todo o animal que rasteja sobre a terra. (Gêneses 1:27,28).
O homem por sua avareza e cobiça tem se ocupado desde então a substituir as obras de Deus por suas diversas criações destruidoras, sem buscar sequer sabedoria do Criador para elaborar projetos arriscáveis, mas cobra-se a intervenção de Deus quando as conseqüências são desastrosas e O culpam por “Sua impiedade.” Com certeza Deus poderia haver impedido o tsunami, as quedas dos três últimos aviões com suas mais de quinhentas mortes, como pode impedir diariamente o tráfico de órgãos humanos e o tráfico de animais, pode impedir que os políticos roubem os cofres públicos, que haja desmatamento, que pais surrem seus filhos, que maridos espanquem suas mulheres, que policiais, marginais e seus afins enfiem balas em tantas pessoas quantas lhes convenham, que a saúde e a educação pública sejam relegadas. Não teríamos então, o sentimento de poder, o mundo não seria nosso; seguramente como no paraíso os Adãos e Evas da vida sentir-se-iam como marionetes nas mãos de um Deus manipulador e atenderiam ao anseio dos seus corações: Queremos ser deuses... E o mundo continuará enfrentando catástrofes até que a terra seja restaurada pelo seu criador à Sua maneira, doa em quem doer. Os que confiam no Seu infinito amor irão entender que Ele JUSTO!



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