quinta-feira, 23 de julho de 2009

O CÃNCER DA MINISTRA DILMA

Ministro (religioso)
com câncer de próstata e ministra (da casa civil)
com câncer linfático
Até 31 de março de 2009, Israel Belo de Azevedo, 56 anos, era diretor do Seminário Batista do Sul e pastor da igreja Batista Itacuruçá, ambos no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em abril, ele resolveu ficar só com a igreja, que acaba de comemorar 73 anos de organização. Pouco depois da celebração, Israel contou à igreja (1.333 membros) que estava com câncer de próstata e que já havia iniciado o tratamento. Na mesma ocasião, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, anunciou à nação que estava com câncer linfático.
Além de se solidarizar com a ministra, Israel Belo escreveu para ela uma carta aberta, na qual disse entre outras coisas:
O ministro disse com classe... (Guiomar).
Primeiramente, desejo cumprimentá-la pela decisão de tornar público o seu câncer. Com o poder que a senhora tem, poderia usar meios e pessoas para esconder ou, eufemisticamente, restringir sua enfermidade ao foro íntimo e pessoal. [...] Que a sua revelação leve muitas mulheres a se autocarem e inspire muitos homens a buscarem os gabinetes me´dicos. No meu caso, alguns homens, a partir da minha notícia, tomaram a decisão de procurar uma urologista, a despeito do pavor do toque. Quanto mais informação sobre o câncer e quanto mais coragem diante dele houver, menos letal será.
No seu caso, que tem a ambição de ser presidente da República brasileira, sua revelação será um prato cheio para os abutres (na expressão de Clóvis Rossi). As repugnantes aves de rapina sobrevoam sobre o seu corpo, comunicando-se entre si sobre a divisão dos despojos. Nesta hora, mesmo continuando no trabalho (como deve), precisa ser respeitada em sua dor.
Não a conheço; logo, não tenho a menor idéia de como enfrenta os reveses. Uns se enclausuram, perguntando-se, entre lágrimas, por que isto lhes está acontecendo; desenvolvem a visão de que são vítimas e alguns se entregam de tal modo que sua cura fica mais difícil. No extremo oposto, aqueles que sobrevivem ao câncer )e é a maioria!) podem ser auto-heroificados ou hetero-heroificados. 'Eu venci o câncer' é frase que gostarei de repetir, quando puder ser autorizado a tal daqui a alguns anos. Contudo, estadesejada vitória não pode ser um canto de alegria que entristeça os familiares dos vencidos pela enfermidade.
Não posso usar minha possível vitória a meu favor. No meu caso, o risco da herificação existe, mas é pequeno e de pífia abragência. No seu caso, o risco é alto. É até possível que um marqueteiro, na hora da possível campanha, queira investir na sua imagem como uma guerreira que venceu o câncer e, logo, pode vencer os desafios do Brasil. Se isto acontecer, resista, ministra. Ter vencido o câncer não pode ser usado como uma virtude.
Penso que a senhora deve usar o seu câncer a favor de todos nós. Além do aspecto didático da revelação do seu diagnóstico e tratamento, estou certo que o seu olhar para a saúde pública brasileira será outro.

Extraído da Revista ULTIMATO.




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