sábado, 11 de julho de 2009

O JOIO TRADICIONAL

Como acontece no movimento pentecostal, na igreja tradicional o trigo (aquilo que é de Deus) e o joio (aquilo que é da carne) também se misturam. A presença do joio tradicional incomoda muitos fiéis que se desencantam com a velha igreja (não com o velho evangelho) e acabam saindo dela para igrejas mais novas (denominadas renovadas, pentecostais ou carismáticas) e para as chamadas comunidades. Os exageros tradicionais provocam exageros pentecostais e os exageros pentecostais tendem a alimentar ainda mais os exageros tradicionais. O ideal seria uma renovação do grupo todo, comedida e cuidadosa. O importante não é um lado contribuir com o calor do Espírito e o outro com a ortodoxia da Palavra. As duas coisas (o Espírito e a Palavra) não devem se desvincular. A igreja que tem ortodoxia precisa ter também calor. A igreja que tem calor precisa ter também ortodoxia. Se as partes se separam, mais cedo ou mais tarde o próprio Espírito vai exigir de ambos os lados arrependimento, confissão e humildade (se os dois ramos quiserem mesmo viver na plenitude do Espírito).
A igreja tradicional precisa rever a sua liturgia. Às vezes, ela é tão pesada que a maior parte dos crentes não suporta mais, especialmente os jovens. A base pode ser bíblica e uma preciosa herança da Reforma, mas a forma precisa mudar. A liturgia rígida parece uma camisa de força que impede os movimentos do corpo. É algo importado de outras culturas e de outras épocas.
É preciso mudar o conceito de reverência no culto e na casa de Deus. Para muitos, a reverência está na gravata e no terno do homem, no melhor vestido da mulher, no rosto fechado e sério de todos e na ausência total de palmas e de cumprimentos efusivos.
A igreja tradicional precisa enfrentar o problema da dor com mais afinco, mais envolvimento e mais poder. Os casos de doenças, de desemprego, de miséria, de atritos conjugais, de dependência de álcool e drogas, de sofrimento emocional, de problemas e deslizes sexuais e outros são desafios que a igreja não pode rejeitar nem protelar. Não adianta colocar no boletim dominical que fulano e beltrano estão doentes e precisam da oração da congregação. É necessário ir muito além, entrar fundo no problema e encontrar uma solução, tanto pela oração da fé, com sinais e prodígios da parte de Deus, como por meio do ministério de conselheiros e profissionais capacitados e ungidos.
Se alguns pentecostais se mostram soberbos por causa do fogo espiritual, alguns tradicionais se mostram igualmente soberbos por causa da cultura teológica. Se alguns pentecostais não levam em conta a unidade visível da igreja, alguns tradicionais fazem o mesmo, quando não admitem que alguém pense diferentemente deles e agem como os apóstolos: “Mestre, vimos certo homem que em teu nome expelia demônios, e lho proibimos, porque não segue conosco”. Os tradicionais devem ouvir a resposta categórica de Jesus: “Não proibais; pois quem não é contra vós outros, é por vós” (Lucas 9: 49 – 50).
Se a igreja tradicional, que Deus tem usado extraordinariamente nos séculos passados, e se a igreja pentecostal, que tem trazido à tona certas coisas deixadas de lado ao correr dos anos, se ambas se derem as mãos numa demonstração do mais puro amor e da mais pura humildade, quem vai sair ganhando é o reino de Deus. Este deve ser o verdadeiro alvo dos verdadeiros crentes.
Fonte: Revista Ultimato – Setembro de 1992.



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Um comentário:

Janela para cristo disse...

Paz do Senhor!

Fiz um novo post sobre a Inspiração Divina se puder dar uma passadinha em meu blog eu agradeceria muito!

http://janelaparacristo.blogspot.com

André de Oliveira
Janela Para Cristo

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