sexta-feira, 12 de março de 2010

EU, BABILÔNIA - Uma Rota de Confusão

Agradeço ao nosso precioso amigo baiano Professor e Pastor Carlos Costa, por esta contribuição tão preciosa para o nosso blog. Creio que este pode ser o primeiro de outros estudos sobre quem é verdadeiramente a Grande Babilônia. Indicamos também o CD Vem Cear do “MANAH Brasil, Ministério Missionário Adorador, do qual o Pr. Carlos faz parte cantando e tocando das treze músicas, duas da sua autoria: “Deus Vem na hora Certa” e “Clama a Mim”. Não recomendaria se não conhecesse a vida espiritual deste varão de Deus e a beleza do laborioso trabalho. Não esquecendo é da Bahia querida...
A palavra “babilônia” vem do vocábulohebreu – babel, qualificando-a como “confusão” e da expressão assíria - bab-ilu – traduzida como“porta dos deuses”. A Babilônia tem procedência sumeriana (4500aC a 2000 a C), na Mesopotâmia (Meso – meio- entre os Rios Tigre e Eufrates). Antiga capital da Caldéia, do vale de Sinear, situada, portanto, ao lado do Rio Eufrates, foi fundada por Ninrode, descendente de Noé, conforme descrito em (Gênese 10.8,9). É historicamente correto afirmar que desde 1900 a.C., a Babilônia sagrava-se como campeã em bruxaria, feitiçaria e todos o tipos de adoração aos demônios. Os babilônios contemporâneos do incremento dessas práticas mágicas, atormentaram-se com as hordas de demônios e espíritos malévolos que estavam nos ares, na escuridão, atemorizando e destruindo. A única defesa era a prática de sacrifícios e rituais mágicos, o que certamente, ao invés de aniquilá-los , realimentava-os , tornando-os mais e mais poderosos. De acordo com Mc Nall Burns (História da Civilização Ocidental), se os babilônios não inventaram a feitiçaria foi pelo menos o primeiro povo dito civilizado a dar-lhe grande importância.

A esplendorosa Babilônia tornou-se conhecida como A Jóia dos Reinos. A Glória e Orgulho dos Caldeus, face a magnitude das edificações, a beleza urbana nas suas avenidas, principalmente seus ricos jardins suspensos, descritos e propagados pelos historiadores antigos, muito embora ainda questionada a exatidão desse esplendor, mas tidos, todavia, como Uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Heródoto O Pai da História (450 a. C), descreveu a cidade de Babilônia como uma riquíssima, imensa e inviolável fortaleza protegida por uma mega muralha com perímetro de 86km, altura de 100m e em cuja espessura superior podiam transitar carros puxados por quatro cavalos. Nas ruínas da Babilônia foram encontrados vestígios daquilo que seria a Torre de Babel mencionada no livro de Gêneses.

Nas estelas, pórticos e tabuinhas foram encontradas expressões que bem retratavam todo o orgulho dos babilônios, como vemos nas palavras do rei Nabucodonosor, (604 a. C. a 562 a. C.) um dos seus ilustres edificadores: “Lancei eu os alicerces sólidos do novo palácio e eu o construí alto como uma montanha, com betume e tijolos cozidos. Mandei eu abater enormes cedros para o seu telhado e para as suas portas de batentes e gonzos de bronze. Armazenei eu no seu interior ouro, prata, pedras preciosas, tudo quanto é caro e valioso, riquezas e bens, ornamentos próprios de minha grandeza, dentro dela acumulei uma imensa abundância de tesouros reais”. Os escritos do Profeta Daniel nos dão contas com muita clareza do potencial de arrogância do soberano babilônio: “Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu (eu) poder e para glória da minha (eu) magnificência?” (Daniel 4:20).

Inferi-se que, os tantos (Eu) de Nabucodonosor tenham suscitado a indignação do Senhor a ponto de reagir de imediato, como visto no verso seguinte, desqualificando-o do trono babilônico, cujo vaticínio ocorreu em 570 a. C., logo após o banquete profano de seu filho, ou Baltazar com seus príncipes. Enquanto acontecia a esbórnia palaciana, os medos/persas, desviando o curso do Eufrates, invadiam a grande Babilônia pelo leito seco desse rio, sob a “grande muralha intransponível”. Primeiro Dario e depois Ciro, O Grande, reinou sobre a Babilônia de 559 a. C. a 529 a. C.

Não é de estranhar que a Babilônia, tão bem conhecida pelas suas iniqüidades e idolatria, tenha sido apontada como o local onde Satanás estabeleceu seu trono após o dilúvio, de onde nasceu o culto de mistérios e a grande confusão religiosa que existe até os nossos dias. Citada na bíblia, de Gêneses a Apocalipse, mesmo após a destruição da cidade física, a Babilônia espiritual migrou com o trono de Satanás para outros lugares, mantendo sempre o s status de delinqüir e embriagar as nações com o vinho de sua prostituição (Jeremias. 51:7). Das raízes Mitológicas

A estrutura religiosa da Babilônia foi sempre bastante confusa, fazendo jus ao seu nome como a vemos embasada numa trindade satânica: Ninrode divinizado em Marduk, na mais elevada posição hierárquica, seguido pela deusa Instar, materializada em Semíramis, a sacerdotisa, esposa de Ninrode que tornou-se em Deusa-Mãe, e Talmuz, o filho de Marduck com Semíramis. A morte de Talmuz, no outono, e sua ressurreição na primavera, simbolizavam a morte e o renascimento da vegetação e fartura na colheita. A morte física e a ressurreição não tinham qualquer significado especial e nem promessa de imortalidade da alma dos babilônios. Ao contrário dos seus contemporâneos egípcios, desprezavam completamente a vida no além. A mitologia babilônica faz uma síntese do seu sistema religioso a partir de Ninrode, filho de Cuse, filho de Cão e este, filho de Noé (Gen.9:20-27 e 10:6-10). Ninrode, que herdou o anátema de Cão, seu avô, foi o fundador da antiga Babilônia, sendo o seu primitivo rei e “Sumo Sacerdote da Ordem Babilônica”. Quando Ninrode, morre, Semíramis, sua esposa, induz o povo caldeu a adorá-lo como o deus Marduk. Após isso, Semíramis, como sacerdotisa, afirma que, apesar de ser virgem e esposa de Ninrode, está grávida de uma criança chamada Talmuz, e que esta criança é a reencarnação de seu marido, Ninrode. Com isso, Talmuz ao nascer, passa a ser adorado como um “menino-deus” e Ninrode confundido com o grande deus Marduk e Baal. Assim estava insinuada a manifestação da satânica trindade que respaldaria a confusão no futuro do cristianismo idólatra, expressivo na teologia de um “Deus Pai do Deus- Menino e este, filho de uma Virgem-Mãe”. Assim Fora lançada e germinada a semente da confusão : Babel. Este sistema religioso, como visto, foi difundido pela Babilônia e entre diversos povos da antiguidade, tomando forma particular em cada local em que era recebido, desenvolvendo-se e chegando aos nossos dias com novas formas. Semíramis, por exemplo, que era representada por Instar ou Asterote, na Babilônia, era também conhecida como Ísis e Osíris no Egito, Afrodite na Grécia, Diana em Êfeso e Vênus, Júpter, Cibele, Minerva e Deusa-Mãe em Roma. Ninrode, como já dito, tornou-se Marduk, dando origem a todos os tipos de Baals que se manifestaram em Israel e demais nações. Conforme a sucessão dos fatos históricos, a Babilônia espiritual transferiu-se para outros locais, levando consigo o espírito do “Sumo Pontífice da Ordem Babilônica”, título do pioneiro rei e sacerdote, Ninrode, transmitido e assumido por todos os soberanos babilônios. Essa práxis se verificou também nos soberanos egípcios e romanos, pois não só representavam o estado, como também o sacerdócio-mor, além de encarnarem, nos casos romanos, um deus, objeto do culto cívico estatal. Seguido os Rastros de Babel Seguindo os rastros da Babilônia espiritual veremos até onde chegam os confusos fatos: 1. Por volta de 486 a. C., A cidade de Babilônia foi anexada à expansão imperialista de Xérxes, (Rei Assuero. 486 – 465 a. C.) filho de Dario I, levando o seu rei e Sumo Pontífice da Ordem Babilônica, bem como toda a sua hierarquia religiosa a fugirem para Pérgamo, importante cidade-Estado grega, localizada na Mísia, próximo ao Mar Egeu. Assim, em Pérgamo, estabeleceu-se o trono de Satanás, conforme literado em (Apocalipse 2:12-13). 2. Em 186 a.C., os romanos, já dominadores da Grécia, tinham latinizado os deuses gregos reconhecendo Hera como Juno, Aténa como Minerva, Dionísio como Baco e Zeus, o pai dos deuses, como Júpter. O culto e a honra a estes deuses foi tão intenso que o senado impôs medidas para os limites da decência e a liberdade sem freio de seus festivais noturnos. Em negociações diplomáticas, Roma importou de Pérgamo, a pedra negra da Grande Mãe dos deuses. Em honra desse fetiche, construiu-se um templo à deusa, no palatino, segundo os conselhos e profecias dos livros de Sibila de Cuma, também importados da Ásia para Roma, e anexados ao culto de Apolo. O Senado, segundo, Rostovtzeff (História de Roma), rendido ás influências desses deuses junto às massas, criou um colégio sacerdotal especial, o decemviris sacris faciundis, para explicar os livros e ordenar o culto. 3. Em 133 a. C., o Rei de Pérgamo, Átallus III, antes de morrer deixa por herança formal e legal a sua cidade, os museus, bibliotecas e o seu título de Sumo Pontífice da Ordem Babilônica ao iminente Império Romano, que como tal já se configurava sob o governo de Tibério Graco. Com isso, a Babilônia espiritual e o trono de Satanás migram para Roma, o então futurístico centro hegemônico sócio-econômico e político do mundo de então. 4. Em 63 aC., Júlio César, na sua eminente carreira ao poder, fora eleito pelo senado como Pontifex Maximum, tornando-se, em 48 a.C., membro de todos os colégios sacerdotais. Nessa mesma época, o mesmo Júlio César já firmado “ditador”, um monarca acima de qualquer controle, traz já encarnado em si o título de Sumo Sacerdote da Ordem Babilônica. Essa herança de Babel, que seria apenas mais um título para César, ganha uma importância perigosamente maior quando o povo glorificou-o como herói e o senado decretou o seu endeusamento instituindo um colégio sacerdotal especial, vindo-se a construir um templo à César e à deusa Clemência. Assim estava estabelecido o culto a César e restabelecido o culto ao Sumo Pontífice da Ordem Babilônica, e por inferência, ao antigo Ninrode e deus Marduk. De Júlio César até o Imperador Graciano, todos os Imperadores Romanos herdaram o sacerdócio babilônico, exercendo-o com todas as honras os direitos que lhes eram inerentes ao cargo. 5. Em 313, O Império Romano, cedendo á força propulsora e exitosa do cristianismo, editou lei legalizando todas as práticas religiosas, com vistas a proteger os cristãos, já que o seu soberano, Constantino, se tornara também cristão. A partir daí, quase todos os Imperadores Romanos foram cristãos, cuja religião, muito cedo, tornara-se oficial no império. 6. Em 376, o Imperador Graciano, perturbado por uma crise de consciência cristã, face a sua conversão ao cristianismo, renunciou ao título de Sumo Pontífice da Ordem Babilônica. O governo romano sacudiu dos seus ombros a herança maldita. 7. Em 378, Dâmaso, então Bispo de Roma, apercebido do título vacante e querendo amealhar mais prestígio ao seu bispado, assumiu-se como Sumo Pontífice da Ordem Babilônica, cujo título, até então mantido no Império Romano, fora assim transferido com toda a legalidade física e espiritual, para a igreja de cristã romana. Esta ação ambiciosa de Dâmaso era muito própria para este momento, pois ele e os demais Bispos, de Alexandria, de Jerusalém, de Cesaréia, Antioquia, etc., se digladiavam na disputa pela maior importância entre os seus iguais. Esta luta culminou em crédito ao pontificado (Pontifex Maximum) do Bispo de Roma, por ser esta a capital do império e centro hegemônico elevado dos mais variados interesses. A exitosa ambição pontifícia dos bispos romanos, encetada por Dâmaso, todavia, escancarou as portas do cristianismo para toda e qualquer sorte de paganismo, com a introdução da “Babilônia Espiritual” na Igreja Cristã. A convivência da Igreja de Roma com a herança de Babilônia, muito bem enseja a citação do Apocalipse:
... E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças, e falou comigo dizendo: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas, com a qual se prostituíram os reis da terra; e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua prostituição. E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e tinha sete cabeças e dez chifres. E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; e tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição. E na sua testa estava escrito o nome: Mistério, a grande Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra. E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos e do sangue das testemunhas de Jesus... (Apocalipse 17:1-6).
...E a mulher que viste é a grande cidade que reina sobre os reis da terra. (Apocalipse 17:18).
Mantida até os nossos dias em Roma, a Babilônia espiritual encarnada no Pontifex Maximum da Igreja de Roma e Sumo Sacerdote da Ordem Babilônica, continua seu ministério de prostituir e confundir religiosamente as nações, utilizando a equivocada estrutura cristã católica-romana para este fim, de onde se difundem falsas doutrinas á serviço de Satanás. Todavia, a queda definitiva da Babilônia já está prevista e vaticinada para o final dos tempos, quando definitiva e espiritualmente será varrida dos mapas. Quando isso ocorrer, os cristãos ouvirão com alegria o brado angelical de vitória: “Caiu, caiu a grande Babilônia!...” (Apocalipse 17:2) Bibliografia básica:
Almeida, João F de, Bíblia Sagrada, Edição Revista e Corrigida, Rio de Janeiro, 1973 Burns, Edward Mc Nalll, História da Civilização Ocidental, Global Editora, 1971 Enciclopédia Barsa, São Paulo, 1992 Martins, Valmir, Informativo Gênesis, Edição 01/98, Centro de Estudos Batista Brasileiro Mês junho, Salvador, 1998 Palanque, Jean Jaques / Jéan-Marie, O Império Romano, Atlas, Rio, 1983 Rostovtzeff, Michael I, História de Roma, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1983 FBB – Faculdade Batista Brasileira. Prof. Carlos Costa



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