segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A PALAVRA DOS POLÍTICOS

O mesmo desabafo ecoa dos quatros cantos da terra. No blog http://filhosdeumdeusmenor.blogspot.com/search?q=as+palavras+de+um+pol%C3%ADtico do nosso lusitano Paulo Sempre, me percebi, reconheci muitos dos nossos leitores. Portanto transcrevo aqui o que o nosso amigo soube traduzir com poesia, amenizando assim a nossa dor. Obrigada Paulo por ser tão sensível e por me deixar trazê-lo para nosso blog.

No "orvalho" das palavras dos políticos – em discursos de ocasião de vésperas de eleições - há «arco-íris» travestidos. Por vezes sinto-os como "uivos" de lobos a tocar presságios antigos, outras vezes como enternecedores apelos, chamamentos, sinais...como se eu ainda tivesse todas as fragilidades da incerteza e/ou o deslumbramento da novidade.... O "eco" dos "gritos" da liberdade ancorados no meu peito, continuam a traduzir todo o caos de um passado pejado de ausências, expectativas, promessas e silêncios redondos, que, paulatinamente, desmoronaram os valores mais sofridos da minha Pátria amada mais que quantas. Cresci a crédito, algures em terras Lusas e embarquei em frases do tipo daquelas que os meus pais embarcaram: «sei muito bem o que quero e para onde vou, mas não se me exija que chegue ao fim em pouco tempo (Oliveira Salazar)”. Entre sonhos e realidades - que entretanto me forjaram o carácter e me algemaram em "abrigos" de "betão armado" - . “Dei” aos políticos todo o tempo do mundo mas, infelizmente, nunca tive a certeza do "azimute" das suas verdadeiras intenções. Quando tentei entender os discursos de ocasião – vindos de púlpitos ornamentados com símbolos da Pátria - Confundi-me vezes sem conta com a linguagem politicamente correcta(?) que ecoavam no meu espírito humilde e devoto. Andei, mas em vão, "perdido" e sem "norte" numa desalmada procura de respostas daqueles que anunciavam o " bem-estar" mas acabei por me perder entre labirintos cruéis e quotidianos sedentos de sonhos e devaneios. Ainda assim, salvaram-se a firmeza das minhas próprias ideias e um “olhar” desinteressado para a “obra” dos políticos. Tal “salvamento” catapultou-me para fora do pântano do «simplex» das ilusões. Mas… um certo meu "medo" ainda paira no horizonte; pois não expurguei todos os "fantasmas" dos bairros pobres onde, cabisbaixo, calcorreei ao encontro do "arco-íris". Afinal…, quando esperava encontrar analogias de mim e “gaivotas em festa”, encontrei gente depravada, sociedades secretas, tráfico de influências e, sobretudo, muita desumanidade. Não é difícil inventar o progresso... fundado em verdades de "plástico" pelo contrário, o que é difícil é as pessoas conservarem-se dignas de confiança e estima por força da sua autenticidade, serem o rochedo batido por todas as tempestades, mas que, ainda assim, ficam de pé e que nenhum furacão pode abalar. Hoje, mesmo sabendo que o egoísmo tudo submergiu, ainda espero encontrar um político isento de subterfúgios ou palavreados desembrenhados de dogmas - como fonte épica de poesia - para merecer, de facto, a minha confiança e estima. Paulo




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4 comentários:

Eduardo Medeiros disse...

OI Gui, tudo bem?

Gostei muito do texto. Inteligente, atual e verdadeiro. O que é uma pena...

abraços

Guiomar Barba disse...

Oi Edu,

O Paulo, o tenho aqui desde uns quatro anos. Gosto muito da sensibilidade dele, além de que nos fizemos bons amigos desde então.

Creio que vais gostar muito de visitar o blog dele.

Beijão.

Levi Bronzeado disse...

GUIOMAR

O escritor político Vilfredo Pareto disse que os políticos são de duas categorias:

1. Aqueles em que prevalece o instinto da persistência dos agregados - esses são os maquiavélicos leões.
2. Aqueles em que prevalece o instinto das combinações, e esses são as maquiavélicas raposas

Abçs,

Levi B. Santos

Guiomar Barba disse...

Levi, e nós aonde vamos?

Me pesa dizer: "Eles são o extrato da sociedade."

Obrigada por vir. Abraço.

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