quinta-feira, 28 de outubro de 2010

TRANSPARÊNCIA TRAZ PAZ

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? “ (Jeremias 17.9)

Temos observado na Bíblia que Deus se refere a transparência como algo prioritário à vida cristã.

Não vamos nos referir a pecados que se exteriorizam, mas a sinceridade, a autenticidade a verdade no coração e do coração. Ou seja, sermos capazes de nos exergar, de identificar as nossas intenções indignas, de admitirmos os nossos erros, as nossas inconsequências, sem dissimulações, sem auto-condenação, sem cobranças. No entanto, temos consciência de que esta gama de atitudes negativas, habitando em nós, traz prejuízo não somente a nós mesmos, mas a todos quantos nos cercam. E por ser assim, não temos direito de nos acomodarmos a tais sentimentos, de cultivá-los dentro de nós, em detrimento principalmente do nosso próximo.

Vemos que Jesus condenava sempre o farisaísmo, tratava com dureza os fariseus hipócritas. Ele estava sempre evidenciando os desígnios do coração do homem. Sempre confrontando as pessoas a respeito dos julgamentos equivocados nos seus corações, da falsidade, da hipocrisia.

Temos uma lição extraordinária na história da mulher pecadora: quando o fariseu Simão viu Maria Madalena ungindo os pés de Jesus, beijando-os, e enxugando com os seus cabelos as lágrimas que ela deixava rolar sobre os seus pés, ele pensou no seu coração: “se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, porque é pecadora.” (Duplo julgamento).

Jesus não se enganava, Ele conhecia as pessoas carregadas de pecados, mas que no mais íntimo do seu coração desejavam a pureza da alma. Conhecia também aqueles que apenas exibiam uma capa de boa moral, e isto o indignava. Portanto, Ele fez questão de expor a grandeza do coração daquela mulher diante de todos com a seguinte parábola dirigida especificamente a Simão:

Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários, e o outro, cinquenta. Não tendo nenhum dos dois com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Qual deles, portanto, o amará mais?

Respondeu-lhe Simão: Suponho que aquele a que, mais perdoou. Replicou-lhe Jesus: Julgaste bem.

“Abro um parêntese aqui para chamar a nossa atenção sobre o fato de que o hipócrita conhece muito bem o que é justo, mas escolhe o que lhe é mais conveniente. A resposta de Simão evidencia claramente isto.”

Seguindo:

E voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. Não me deste ósculo; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta, com bálsamo, ungiu os meus pés. (Lucas 7. 44, 47).

Simão havia convidado Jesus a uma ceia na sua casa. Qual seria a motivação do coração daquele homem ao convidar o Mestre...? Segundo o costume, ele deveria ter recebido Jesus com todas as honras comuns a um convidado especial. No entanto, aquela pecadora, entre todos os convidados, que por certo a desprezaram, foi a única que atribuiu a Jesus a honra que lhe era devida, porque o seu coração era reto na sua busca por uma vida de integridade.

A condição única para sermos amoldados àquilo que realmente deseja o nosso coração, a termos uma escala de valores que nos enobrece o espírito, é nos desnudarmos completamente, tirar peça por peça, por mais acabrunhante que nos seja.

Somos tão soberbos que custa nos deixar a nós mesmos ver a nossa própria nudez. Tentamos desesperadamente justificar para nós mesmos as nossas mazelas, culpar alguém por elas; nos descabelamos por nos enganar, mentir para nós, atribuir nossos desatinos aos sofrimentos que a vida nos impingiu. Este objetivo foi cômico no jardim do Éden: foi a mulher que VOCÊ me deu; foi a serpente...

Lembro-me de um homem que era cruel com a sua esposa. Enquanto eu o confrontava sobre os maus tratos que ele lhe forçava a suportar, ele me gritou: você sabe o que eu passei na vida? Sabe o que sofri?

No mesmo tom de voz dele eu lhe fiz a mesma pergunta sobre mim.

Ele calou.

Eu lhe disse: é uma escolha. Você repete com sua esposa o que fizeram com você se você assim o desejar. Se não foi bom para você, por que repetir com ela?

Não há psiquiatra, não há psicólogo, não há conselheiro espiritual que possa ajudar alguém a encontrar um caminho de paz interior, de equilíbrio, sem ter que trabalhar em cima da nudez de quem se propõe a ser ajudado. O próprio Deus, que sonda os corações, que conhece o mais emaranhado do nosso ser se nega a fazer este trabalho sozinho. Ele não aceita agir em nós se de todo coração não concordarmos nisto.

“Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração.” (Jeremias 29.13).

“Como na água o rosto corresponde ao rosto, assim, o coração do homem, ao homem.” (Provérbios 27.19).

Se não formos leais, após desfiarmos nosso rosário de dores provocadas por tantas fontes impiedosas contra nós ou criadas por nós mesmos, salvo se o conselheiro conseguir discernir a verdade, receberemos apenas a piedade do nosso conselheiro, que se empenhará em nos orientar, baseado nas nossas falácias. Prosseguiremos então, com nosso ego massageado, fortalecido para continuarmos a farsa, e em conseqüência seguiremos a mesma vida “não própria para um ser humano.”

A escolha é nossa...




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2 comentários:

Eduardo Medeiros disse...

Gui, excelente texto. No fim das contas, tudo depende da nossa decisão. Tudo aquilo em nós que diminui o valor da vida deve ser questionado, confrontado e por fim descartado para que a vida corra livre como um rio.

beijos

Guiomar Barba disse...

Obrigada Edu.

Escrevi o texto baseada em minhas próprias experiências. Eu tinha dificuldade para me dizer a verdade, mas estou vencendo e tem sido muito bom para mim.
Bjs.

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