quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

SILÊNCIO

Quem me dera voar um pouco de tempo para além das vozes

Meus ouvidos se adaptaram ao barulho das línguas que não param

Ao estrépito das vozes que não sabem sequer falar;

Aos gritos dos que já não conseguem ouvir, se não a si mesmos

Ao murmurar contínuo dos que se devotaram a criticar

Ao balbuciar dos que derramam lágrimas silenciosas

Aos berros horripilantes de comandos.

À suave maciez de vozes que transmitem "sabedoria."

Aos urros de feras que subornam, corrompem para reinar

Aos choros mal contidos, doloridos, dos campos de morte

Ao brado no olhar dos doentes dos corredores de hospitais

Ao gemido da natureza agonizante martirizada por seus algozes.

Desejo calar dentro de mim, fora de mim, todas as vozes

Quero respirar, me embriagar, extasiar nesta pausa

E mergulhar no silêncio desta força benéfica que impulsiona

Que no silêncio da minha alma me entoa o cântico do amor

Deixar-me envolver sob sua ação destilada ao meu limite

Que me conduz suavemente, com segurança ao meu destino

Amo este agir silencioso que apenas me impele como um vagar

Que, no entanto, tem âncora em um porto seguro

Mais que tudo quero aprender a calar e falar.




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8 comentários:

Jorge Strobel disse...

Querida Guio, que linda mensagem. É no silêncio que muitas vezes Deus nos fala, como foi no silêncio, e não no barulho, que Elias sentiu a presença de Deus. Aprender a calar-se e falar nos momentos certos é realmente uma virtude. Que Deus no ensine a fazer isso com sabedoria e ousadia. Um abraço caloroso de seu amigo e irmão Jorge.

Guiomar Barba disse...

Jorge meu grande amigo,

Você aqui é uma alegria enorme. Seu comentário me fala muito, conheço a procedência.
Volte sempre. Beijão.

Levi Bronzeado disse...

GUIOMAR

Belo e profundo poema.

Ainda bem que lá no "Ensaios & Prosas", no comentário que fiz ao teu comentário, eu escrevi:

"Por outro lado, entendo que o silêncio fala por si" (rsrs)

No tumulto sem sentido do cotidiano,
transportei-me ao meu deserto psíquico, para em meio ao silêncio dos teus versos, poder ouvir a voz do "inominável".

Atena disse...

Guiomar:
Que belo texto. Definitivamente é no silêncio que "ouvimos" a voz de nosso Deus interno.
Tenho lido seus comentários no blog Um Outro Evangelho e fiquei curiosa sobre uma pessoa tão religiosa acompanhar um blog que só fala mal de Deus. rsrs
Para mim isso demonstra que você não tem a cabeça fechada como tantos crentes têm. Parabenizo-a por isso.
abraços
Atena

Guiomar Barba disse...

Levi, você é um poeta que me faz calar para ouvi-lo.

"No tumulto sem sentido do cotidiano,
transportei-me ao meu deserto psíquico, para em meio ao silêncio dos teus versos, poder ouvir a voz do "inominável"."

Obrigada por vir. Te amo.

Guiomar Barba disse...

Oi Atena,

Fiquei contente quando encontrei você aqui. Eu também leio seus comentários e gosto da sua inteligência.

Eu gosto muito de citar para mim mesma: "Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se eu não tiver amor nada serei."

Ouvir, mesmo quando dói em nós, para mim é amar, além de que aprendo muito com todos eles. Mas te confesso que hoje tenho vergonha do quanto eu fui tapada, fechada e mal educada.
Já pedi perdão a várias pessoas, que graças a Deus, percebiam que eu era ácida porque tinha uma forma estranha de amar.

Volte e deixe critícas ou comentários, vai me ensinar muito. beijão.

Eduardo Medeiros disse...

bravo!!

que lindo poema, um ode ao silêncio interior tão necessário quando as muitas vozes do mundo chegam a nos sufocar com seus gritos.

quando nos calamos, quando somos capazes de ouvir o silêncio, então o "inominável" se faz presente...

beijos

Guiomar Barba disse...

Edu,

Obrigada Edu, seu comentário me é um incentivo.

Te confesso que as vezes minha própria voz me cansa, ando buscando algo mais além do que tenho ouvido.

Abraço.

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