quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

SAMPA NOSSA DOR

Quem é responsável pela impiedosa devastação que a cada temporal leva pânico à maior cidade industrial do país? Por que a morte suga vidas para o seio da terra de forma brusca, atirando-lhes suas flechas mortais com os pedaços das suas própria habitações? Por que a natureza enraivecida joga lama em seus meios de ganhar o pão, gritando-lhes ruína ao levar nas enchurradas escuras e violentas tudo que lhes importa? Quem merece punição pela dor que arrebenta os corações dos que perderam parentes, amigos ou seus bens? Quem lhes força a edificar seus barracos em zona de risco? Quem abre as comportas dos céus sem perceber que Sampa está encharcado, que as galerias estão entupidas do lixo dos que não prevêem o futuro? Quem construiu a cidade sem planejamento? Quem é que responderá por esta dor que dilacera nosso coração ao ouvir o gemido das vítimas, que apesar de haver perdido tudo, ainda agradecem a Deus por estarem vivas? Quem é responsável pela quase culpa que sentimos ao nos deitar na nossa cama macia ou sentar à nossa mesa farta, enquanto revivemos as cenas dos que perderam tudo e sequer têm para onde ir?

Ouvi falar que São Paulo seria destruido pelas águas, soube que alguém há mais de vinte anos escreveu um livro "prófetico" afirmando esta desgraça. Não conhecemos o livro, nem sabemos onde encontrá-lo, no entanto, entendemos que anos e anos a fio Sampa vem sendo vítima de enchentes sem que nemhum governo passado ou atual tenha levado a sério as consequências funestas de tanta irresponsabilidade.

Quem esteve com a borboleta nas mãos?

Há uma historinha que conta a inquietação de uma menina quanto à sabedoria do mestre. Tomou nas mãos uma borboleta azul, escondeu as mãos com a borboleta atrás, foi até o sábio e disse: tenho nas mãos uma borboleta azul, ela está viva ou morta? Antes que o sábio respondesse, ela preparou o seguinte ardil: se ele disser que a borboleta está viva eu a esmago, e ela estará morta. Se ele disser que está morta, eu a deixo voar e provo que sua sabedoria não é tão grande. Mas o sábio sendo sábio disse: ela está em suas mãos, depende de você.

Quantos políticos esmagam a borboletinha nas mãos pelo simples fato de prejudicar a oposição, mesmo em detrimento do povo? Quantos políticos vivem uma vida nababesca às custas da desgraça dos seus eleitores? Quantos políticos dizem não ao sábio, ao avisado, por seu orgulho repugnante? Quantos políticos deixam acontecer por cruel indiferença?

Se o Estado de São Paulo ou a cidade de Sampa forem submergidos pelas águas, todos nós nos afogaremos, ainda que não morramos com ele. Estamos impotentes se tivermos que esperar por quarenta anos para que a história mude para nossos irmãos paulistanos.

Que Deus tenha misericórdia de todas as vítimas.

 




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