sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

MEU GRANDE EQUÍVOCO

Desde muito criança ouço as histórias bíblicas e, logo que aprendi a ler, amava o Antigo Testamento, na verdade era ele que mais me encantava, com suas histórias dinâmicas e seus belos romances. Portanto, me tornei capaz de contar, creio que todas as histórias mencionadas nele. No entanto, após escrever o ensaio “A FÉ, O PECADO E A LONGANIMIDADE DE DEUS, que versa sobre um episódio na vida de Abrão e Sarai, senti uma sensação de frustração e por pouco não destruí a mensagem. Agora pela manhã, ao fazer minha meditação, entendi o motivo e aprendi uma grande lição: não publicarei nada que não me deixe em paz.

Vejamos, portanto, a narração de Gêneses vinte e compare com a narração de Gêneses 12: 10-20, que me serviu de base para o ensaio anterior a este. Perceba também que os nomes de Abraão e Sara nesta narrativa já haviam sido mudados, não era mais Abrão e Sarai, como se refere no capítulo doze.

Partindo Abraão dali para a terra do Neguebe, habitou entre Cades e Sur e morou em Gerar.

Disse Abrão de Sara, sua mulher: Ela é minha irmã; assim, pois, Abimeleque, rei de Gerar, mandou buscá-la. Deus, porém, veio a Abimeleque em sonhos de noite e lhe disse: Vais ser punido de morte por causa da mulher que tomaste, porque ela tem marido. Ora, Abimeleque “ainda não a havia possuído; por isso disse: Senhor, matarás até uma nação inocente? Não foi ele mesmo que me disse:É minha irmã? E ela também me disse: Ele é meu irmão. Com sinceridade de coração e na minha inocência, foi que eu fiz isso. Respondeu-lhe Deus em sonho: Bem sei que com sinceridade de coração fizeste isso; daí “o ter impedido Eu de pecares contra Mim e não te permiti que a tocasse”. Agora, pois, restituí a mulher a seu marido, pois ele é profeta e intercederá por ti, e viverás; se, porém, não lha restituíres, sabe que certamente morrerás, tu e tudo o que é teu.

Levantou-se Abimeleque de madrugada, e chamou todos os seus servos, e lhes contou todas essas coisas; e os homens ficaram muito atemorizados.

Então chamou Abimeleque a Abraão e lhe disse: Que é isto que nos fizeste? Em que pequei eu contra ti, para trazeres tamanho pecado sobre mim e sobre meu reino? Tu me fizeste o que não se deve fazer.

Disse mais Abimeleque a Abraão: Que estavas pensando para fazeres tal coisa? Respondeu Abraão: Eu dizia comigo mesmo: certamente não há temor de Deus neste lugar, e eles me mataram por causa de minha mulher. Por outro lado, ela, de fato, é também minha irmã, filha de meu pai e não de minha mãe; e veio a ser minha mulher. Quando Deus me fez andar errante da casa de meu pai, eu disse a ela: Este favor me farás: em todo lugar em que entrarmos, dirás a meu respeito: Ele é meu irmão.

Chamo a atenção do meu querido leitor para este detalhe, foi somente após a revelação da verdade, que, Abraão recebeu os presentes do rei.

“Então, Abimeleque tomou ovelhas e bois, e servos e servas e os deu a Abraão, e lhe restituiu a Sara, sua mulher”.

Vejamos o quanto Abimeleque foi temente a Deus e agiu com dignidade:

“Disse Abimeleque: A minha terra está diante de ti; habita onde melhor te parecer. E a Sara disse: Dei mil siclos de prata a teu irmão; será isto compensação por tudo quanto se deu contigo; e perante todos estás justificada.

E, orando Abraão, sarou Deus Abimeleque, sua mulher e suas servas, de sorte que elas pudessem ter filhos; porque o Senhor havia tornado estéreis todas as mulheres da casa de Abimeleque, por causa de Sara, mulher de Abrão.

Prometo ter um cuidado muito maior e especial ao comentar não só as histórias bíblicas, mas ao postar qualquer outro tema.

Outra lição que podemos levar deste meu equivoco é que as narrações de histórias estão sujeitas às informações que cada escritor pesquisa, portanto, quanto mais versões diferentes sobre um assunto pudermos inquirir, maiores esclarecimentos teremos.




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8 comentários:

Eduardo Medeiros disse...

gui, não entendi qual foi seu equívoco...rs

Guiomar Barba disse...

Uai Edu,em muitos pontos, veja que na outra postagem digo que o rei possuiu Sara, que Abraão recebeu presentes do rei em razão de Sara, também a forma como Deus tratou com Abimeleque não foi conforme registra Gêneses 12.17. Veja que tem muita diferença nas referências.

Beijo.

Eduardo Medeiros disse...

sim, e por que você acha que existe essas discrepâncias?

Guiomar Barba disse...

Queria ser perita em hebraico e história bíblica, muita coisa precisa ser esclarecida com estudo e dependência do Espírito Santo.
Beijo.

Eduardo Medeiros disse...

gui, vai sempre no caminhos da teologia que esses assuntos vão estar sempre por lá...

beijos

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Olá!

Seguindo a Teoria Documentária, o texto de Gênesis 20 seria uma duplicata de tradição eloísta de 12.10-20 que, de acordo com os comentários da Bíblia de Jerusalém (BJ), teria sido "abrandada por traços de moral mais evoluída".

A respeito de Gn 12.10-20, a BJ nos trás as seguintes informações:

"Esta história (...) traz a marca de uma idade moral em que a consciência não reprovava sempre a mentira e na qual a vida do marido valia mais que a honra da mulher. A humanidade, guiada por Deus, tomou consciência progressivamene da lei moral."

E o comentarista também nos fornece uma possível explicação para a atitude de Abrahão, mas de incerta probabilidade, estabelecendo uma relação de seu ato com os costumes da Alta Mesopotâmia:

"na aristocracia hurrita, o marido podia ficticiamente adotar sua mulher como 'irmã', e esta passava a gozar então de maior consideração e de privilégios especiais. Esta teria sido a condição de Sarai, e Abraão por sua vez, ter-se-ia prevalecido dissso diante dos egípcios, que, por sua vez, ter-se-iam equivocado (v. 19), como também o autor bíblico que não mais conhecia o costume".

Bem, se considerarmos a Teoria Documentária, aceitaríamos que a versão atual da Torah teria sido a reunião de diferentes tradições pelos membros do sacerdócio numa época bem posterior a Moisés e com uma possível origem oral e também escrita (observe que há livros desconhecidos citados a partir de Êxodo). E isso talvez explique as diferenças entre os relatos, as ambiguidades em Gênesis.

Mas deixando um pouco de lado a exegese (em si mesma ela pouco presta para a edificação), vejo um grande aprendizado em Abrahão ter supostamente cometido o mesmo erro por duas vezes e que irá ser repetido por seu filho Isaque. Nas duas situações, Deus mostrou sua completa fidelidade pelo que havia prometido. Em Gênesis 12, Abrahão só tinha ainda a promessa de Gênesis 12.3 e a confirmação de Betel (12.7). Já em Gn 20, sua intimidade com o Eterno era maior, ambos já tinham realizado uma aliança (Gn 15 e 17) e o episódio envolvendo o rei dos filisteus, mais profundo do que o ocorrido com o faraó, alvez seja condizente com o crescimento espiritual de Abraão.

Guiomar Barba disse...

Rodrigo, obrigada pela colaboração.
Bem, são suposições que sempre nos deixarão com uma interrogação sobre a verdade, no entanto, eu creio que há leis que foram inseridas no coração do homem em todo o tempo e que ele sempre teve consciência quando transgrediu. São leis universais e não culturais.
Eu ouvi uma missionária que trabalhava com índios contando que ao interrogar um deles sobre o fato de viver com duas mulheres, ele respondeu: vivo porque é bom. Ela contestou: e você não acha que está errado? Ele disse acho, mas é bom.

Eu creio que mesmo sendo sua cultura, você sabe que se não é bom para você, não seria para ninguém.
Abraço amigo.

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

"Eu creio que mesmo sendo sua cultura, você sabe que se não é bom para você, não seria para ninguém."


Extato! Trata-se da Regra de Ouro inscrita nos corações dos homens.

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