segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A NATUREZA DA ESCRITURA

Para fechar o artigo anterior,

http://caminhosdateologia.blogspot.com

a segunda razão pela qual uma boa interpretação é importante é a própria natureza do livro em questão - a Bíblia. Vimos que todo leitor é ao mesmo tempo um intérprete. E não só isso, ele leva tudo o que ele é para o texto que lê. O que mais acontece com a Bíblia é que a lemos com nossas próprias convicções, crenças ou descrenças, isso dificulta descobrirmos qual era a intenção original do autor. Exemplos corriqueiros: um pentecostal sempre lerá a Bíblia a partir da sua crença nos dons do Espírito Santo como ativos em nosso tempo, dando inclusive suma importância ao dom do "falar outras línguas"; já um presbiteriano roxo e conservador, lerá os textos que falam dos dons com outros olhos e dirá com convicção que os dons se foram depois que o último apóstolo morreu. Quem está certo? Logo, todo exegeta tende a ser parcial diante do que já crê como verdade. É por isso que eu gosto da distinção entre exegese pastoral ou devocional e a exegese técnica, acadêmica, histórica. A exegese pastoral não está interessada tanto na história do texto e sim, qual lições espirituais o texto pode ter para o fiel. Ela está baseada antes na fé. A exegese acadêmica não precisa usar a fé, por isso, ela está mais próxima da realidade cultural, histórica e sociológica dos textos. Ao meu ver, uma pode completar a outra, mas é quase certo que em algum momento, uma vai contradizer a outra. O cristianismo de modo geral, tem compreendido que a Bíblia é tanto humana quanto divina. Assim escreveu George Ladd: "A Bíblia é a Palavra de Deus dada nas palavras de (pessoas) na história". Ora, como será então difícil interpretar tal texto, humano e divino ao mesmo tempo! Mas é claro que essa não é uma opinião de toda a cristandade. Teólogos verdadeiramente cristãos e comprometidos com sua fé entenderam que a Bíblia não "é" a Palavra de Deus mas ela "contém" essa Palavra. Ora, isso faz uma grande diferença. E existem também aqueles que acreditam que a Bíblia é um livro apenas humano, logo, para essas pessoas, a interpretação estará restrita somente à pesquisa histórica, já que o lado metafísico ficaria de fora do seus interesses. Esses exegetas não precisam necessariamente, possuir a fé e a crença para realizar seu trabalho, o que do ponto de vista histórico é uma grande vantagem. Já houve quem pensasse que a Bíblia era exclusivamente divina. Ou seja, Deus inspirou literalmente os autores da Bíblia e eles escreveram exatamente o que Deus quis que escrevessem, sem nenhuma interferência da parte humana; o resultado disso é que a Bíblia seria infalível em tudo o que diz, já que é palavra literal de Deus. Essa posição hoje não tem muitos adeptos, se é que tem algum, visto que até os mais conservadores perceberam que a Bíblia não poderia ser resultado apenas da ação divina, mas também, da ação humana e onde o humano põe a mão, o erro é sempre uma possibilidade. Concluíndo, interpretar exegeticamente um texto bíblico não é tarefa para neófitos; mesmo uma exegese pastoral será feita mais corretamente por alguém que conheça as ferramentas para o trabalho, e o bom exegeta pastoral também estará ciente que ele é limitado pelas suas próprias crenças e pressupostos espirituais. Da minha parte, meu maior interesse é a abordagem da Bíblia pela exegese acadêmica, principalmente, através do método histórico-crítico. É possível um crente se guiar pelo método histórico-crítico? Creio que sim. Em minha opinião, ele deve separar o lado espiritual, metafísico do lado histórico e "real". E quando digo "real" não estou dizendo que a fé e as crenças sejam irreais mas que elas são de uma realidade diferente da realidade histórica. Mas o que é mesmo esse tal de método histórico-crítico? Volto depois a este assunto. Para refletir: como você vê a Bíblia: como apenas divina, apenas humana ou divina e humana ao mesmo tempo? Ela é infalível e inerrante? por que? Quais provas para tal afirmação? quais as implicações que cada abordagem pode ter? Se cada um interpretar a Bíblia somente a partir das suas próprias crenças, o que isso resultará? Em que se baseia a sua fé ou a falta dela?




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2 comentários:

Altamirando Macedo disse...

Você já tem um descrente te seguindo.
Não sou ateu, mas graças a Deus eu não acredito nele. He, he...

Guiomar Barba disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Você éuma grande figura amigão.
Beijaço.

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