sexta-feira, 4 de março de 2011

SUICIDIO

"O empenho por encontrar um significado para a vida é a motivação básica do homem". (Viktor Frankl).

Hoje, logo cedinho da manhã, meu filho me contou uma história terrivelmente chocante, dolorosa, mas terrivelmente comum.

Um rapaz, ao entrar no quarto que dividia com o irmão, ali encontrou o corpo deste caído, sem vida, morto por um tiro na fronte e um bilhete que continha uma dolorosa mensagem: Eu não amo ninguém, não me importo com ninguém e acharia legal morrer em frente ao espelho", Este moço de apenas dezenove anos havia sido aprovado em segundo lugar no vestibular da UFS, no curso que optou fazer.

Ele era colega de uma amiga do meu filho.

Sorridente entre amigos, parecia feliz, gostava de teatro, brincalhão e festeiro, batia pelada com os amigos. Confiram na comunidade aberta sobre ele: http://www.orkut.com.br/Community?cmm=111901361

Esta história me transportou à minha juventude, quando conheci uma moça bonita, descontraída. Na sua companhia todos sorriam, ela era uma diversão. Mas muito pouco tempo após conhecê-la, veio-me um recado da sua irma, que era minha colega de classe, para ir à casa de uma tia delas, onde encontrei o corpo jovem, de belas formas, lívido, em um caixão. Ela se suicidara. Olhando aquele rosto que parecia sereno, minha mente todo tempo revivia como em um filme nossos poucos momentos juntas. Mesmo agora posso revê-la sorrindo, com gestos de uma menina crescida, nos fazendo rir todo tempo, enquanto seu coração sangrava a agonia de viver.

Jovens, estudantes, em um mundo colorido, cheio de sol, de luz, de céu azul, campos verdes, pássaros voando aos bandos e soltando seus trinados, praias banhadas por ondas espumantes, um espetáculo natural a ser desfrutado em cada recanto deste belo planeta. Família, amigos, culturas a serem exploradas, surpresas fantásticas, um mundo de descobertas. No entanto, nada diz nada, partem, portanto, em busca do

http://www.youtube.com/watch_popup?v=F7y8V5tYD6A

Nada faz sentido, nada impressiona, quando não conseguimos encontrar um significado para a nossa própria vida.

http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/casal-de-idosos-tentam-fazer-pacto-de-morte-mas-sobrevivem-20110227.html

Eles se amavam, estavam juntos havia quarenta e nove anos. Mas será que a saúde estava acima do amor? A morte tornara-se o maior desejo. Por quê?

Transcrevo aqui um parágrafo da meditação de domingo, página oitenta e seis, do livro "A Bíblia Toda O Ano Todo" de John Stott:

"O livro de Eclesiastes descreve muitas oscilações de humor e de sentimentos, mas enfatiza principalmente a futilidade da vida humana, presa ao tempo e ao espaço, ignorando ou negando a realidade de Deus. Se a realidade está restrita ao tempo - o breve espaço de tempo da vida humana, com sua injustiça e sofrimento, e se a vida começa com o nascimento e termina com morte e dissolução, como a vida dos animais, então tudo realmente é inútil e "nada faz sentido!" Se a realidade está restrita ao espaço, e o esforço do homem debaixo do sol é inutil e sem nehuma perspectiva acima ou além sol, então novamente "nada faz sentido" e tudo é inútil, é correr atrás do vento!"

Somente Deus pode dá significado à vida, porque só Ele pode suprir o que está faltando. Deus adiciona eternidade ao tempo, e transcendência ao espaço. É por isso que "o temor do Senhor é o príncipio da sabedoria", pois a sabedoria começa com um humilde conhecimento da realidade de Deus".

Nosso coração não deixará de sangrar muitas vezes. Poderemos não ser bem sucedidos em tudo que empreendamos, teremos frustrações grandiosas em nossa caminhada, enfrentaremos perdas dolorosas, rompimentos afetivos, poderemos ser vítimas de tempestades, terremotos, emfim, todo o mal acontece aos bons e aos maus. O sol brilha sobre justos e injustos, no entanto, se nos abrigarmos à sombra do Onipotente, todas as catástrofes, transtornos que enfretarmos não poderão nos desmoronar interiormente, sempre renascerá uma esperança, nem um vento impetuoso poderá apagar a torcida que fumega ou esmagar a cana quebrada.

A vida é um dom preciosíssimo, desfrutemos dele.

 

 

 

 

 

 

 

 




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8 comentários:

Eduardo Medeiros disse...

gui,fiquei muito impresionado ao ler livro do doutror frankl, "em busca do sentido" onde ele relata a sua experiência no campo de concentração. inlcusive escrevi sobre ele em um texto para a confraria.

é estarrecedor ver jovens se suicidando. o vazio existencial é poderoso e traga qualquer um em suas garras.

sem dúvida, é preciso ter na vida um sentido, um norte, uma visão, algo por que viver e lutar. sem isso, a vida torna-se fardo insuportável.

quem em deus encontrou sua base, encontrou um bom sentido para viver; a despeito de todas as críticas que eu possa ter da religião cristã da atualidade, creio que a espiritualidade faz diferença.

como disse o caio fábio uma vez(tá lá no caminhos da teologia), para jesus, espiritualidade era viver. a própria vida deve ser o sentido para vivê-la.

beijos

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Oi Gui,

Após ter acessado seu texto, lembrei-me de uma parte na Bíblia, em Atos, que fala da conversão do carcereiro na cidade de Filipos, onde, após o terremoto, o homem estava pensando em se matar e Paulo lhe diz: "Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu e a tua casa".

Sabemos pelo texto que Paulo e Silas estavam presos e que, na metade da noite, cantavam louvores a Deus. É possível que o carcereiro também tivesse escutado uma parte das orações e dos louvores cantados por Paulo e Silas. Porém, até então não havia ainda esperança para a vida daquele homem, o qual sentiu-se arruinado quando acordou do seu sono e viu que as portas das prisões estavam abertas.

A atitude de Paulo em se apresentar ao carcereiro depois daquele acontecimento e ainda preocupar-se com a sua vida deve ter lhe causado um forte impacto no seu coração. Supondo que horas antes aquele homem talvez tivesse castigado a Paulo com açoites, ou presenciado o castigo injusto e talvez nem se importado com a agressão praticada contra o apóstolo de Cristo a mando das autoridades locais, seria um tanto incompreensível o amor demonstrado quando nosso irmão lhe diz para não cometer o suicídio: “Mas Paulo bradou em alta voz: Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos!” (At 16.28)

Ouvindo tais palavras, o carcereiro toma uma atitude que realmente vai mudar toda a trajetória de sua vida. Ao invés de se matar, ele resolve procurar a ajuda espiritual que a sua alma tanto necessitava para que vivesse eternamente e vai então direto ao encontro de Paulo e de Silas. Lucas como um bom médico observador entra em detalhes relatando que o carcereiro encontrava-se “trêmulo” e se humilhou diante de Paulo e de Silas. E, depois disto, leva-os para o lado de fora da prisão, perguntando-lhes o que seria necessário fazer para ser salvo (At 16.31).

Observe que, quando o carcereiro fez esta ousada pergunta, confiando no poder sobrenatural que estava sobre a vida de Paulo e de Silas, ele queria saber qual a direção para a sua vida a fim de que não caísse em desgraça. Isto porque as autoridades da cidade, provavelmente, iriam tomar alguma posição em relação à fuga de Paulo e Silas, sendo que o carcereiro, além de sobreviver daquele trabalho, precisava zelar pela sua vida e por sua família.

Nesta altura, ao que me parece, o carcereiro já deveria estar compreendendo que havia alguém mais poderoso do que as autoridades de Filipos e, ao fazer sua pergunta para Paulo e Silas, ele estava demonstrando uma verdadeira confiança em quem seria poderoso para salvá-lo.

Mas quem poderia salvar a vida daquele carcereiro? Por acaso seriam Paulo e Silas?

Sem desejarem nenhuma glória para si mesmos, Paulo e Silas respondem ao carcereiro que aceitando o senhorio de Jesus em sua vida ele seria salvo bem como a sua casa (família): “Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”. (At 16.31)

Geralmente, quando alguém pensa em acabar com a própria vida é porque, agindo sem fé, quer se proteger-se de algo. Porém, creio que, é reconhecendo o senhorio de Jesus sobre si que o homem sente-se salvo. Pois, como Jesus mesmo disse, não temos que temer aquele que mata o corpo.

Abraços.

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Em tempo!

O sono do carcereiro pode ser entendido como uma metáfora em relação á vida de quem tem tendência suicida.

Se bem que, todo ser humano tem em si esta tendência que, em alguns povos, se torna até um comportamento coletivo, como já se viu no Japão, outros países do Oriente, em tribos indígenas, no Ocidente durante uma das fases do Romantismo, etc.

Entretanto, a esperança do Evangelho pode devolver ao homem a vontade de viver.

Guiomar Barba disse...

Oi Rodrigo, nunca havia visto por esta ótica a história do carcereiro, fiquei muito impressionada com a sua capacidade de analisar e tirar uma proveitosa lição para nós hoje. Parabéns.

Abraço amigo.

José Lanes disse...

Olá, paz seja convosco.
Gostei muito do seu Blog. Bastante edificante.
Parabéns.

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Oi, Gui. Fiz esta análise a parir das palavras que foram dirigidas por Paulo ao carcereiro, indagando sobre quais as razões que poderiam tê-lo levado àquela tentativa de suicídio.

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Em tempo! Seu blogue andou fora do ar? O que houve?

Você tem andado meio sumida lá do Café com Gente? Quando pudr, dá uma lida nas duas últimas mensagens.

Abraços.

disse...

Que texto maravilhoso. Até me emocionei. Deus te abençoe sempre mana. paz!

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