domingo, 14 de agosto de 2011

MEU PAI JAIR ROCHA


Sentado na sala de pernas abertas, com um montão de sapatos negros, uma lata de graxa negra outra marrom, escova de dente para passar a graxa nos sapatos, e uma escova de sapato para dar brilho; era quando ele contava sobre suas andanças como evangelista no sertão. Ria a valer das expressões dos matutos repetindo-as para nos fazer rir também. Duas delas que sempre me lembro, eram as que os matutos costumavam falar quando queriam descer do ônibus: “Peraí motorista, que vai descendo um magote!” Ou para subir: “Sobe pra riba muié!” kkkkkkkk

Lembro-me de um dos diáconos que lhe acompanhava em algumas viagens, o Mariano, que na mesa, quando via os talheres, dizia: “Eu quero uma cuié” (colher). Ele jamais comeu de garfo e faca. Rsrs

Ele gostava de brincar com seus filhos menores, embora fosse torpe na maioria das vezes nas suas brincadeiras. Ele também fazia flauta com o canudo do mamão, jogava bola de gude, colocava-nos sobre os seus pés e saia caminhando conosco. Segurando o lábio inferior, assoviava fino que doíam-nos os ouvidos.

Por traz da nossa casa passava a linha de trens, meu pai costumava ir para alguns lugares de trem, era nossa festa acompanhá-lo uma vez ou outra, mas todas as vezes que ele viajava,  ficávamos ansiosos esperando o apito agudo do trem, corríamos então, para fora do portão, de onde sabíamos que ele nos acenaria ao passar do trem, do mesmo modo fazíamos no dia da sua volta, e ao chegar em casa e tocar a porta, corríamos juntos com mamãe, todos gritando: Chegou papai! Chegou papai!
Muitas vezes ele nos trazia pitombas, umbu, caça, jambo, cana e outras guloseimas que amávamos.

Papai amava a roça, as galinhas caipiras cevadas, as frutas e as caças. Gostava de um banho de rio e nadava de todas as formas possíveis. Era um homem bonito, de estatura mediana, branco, cabelos fartos e pretos; era pesado, mas não gordo; vaidoso, percebíamos quando ele vestia um terno rigorosamente engomado, com uma camisa muito branca, punha sua gravata, sapatos brilhando, seu chapéu, pegava sua pasta de couro, levantava o nariz, e nós às vezes ríamos da sua vaidade junto com ele. Era uma figura atraente.

Ele morreu da forma que viveu: brincou com crianças, chupou mangas sob o pé delas, riu. E à noite, indo ao banheiro caiu. Depois de socorrido, partiu para a eternidade. Ele estava pronto para pregar em uma festa de uma igreja em Garanhuns – PE.


Dia 12 de agosto, teria sido seu aniversário. Valeu papai, você deixou pegadas preciosas.



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8 comentários:

Anônimo disse...

PARABÉNS PR. JAIR

DAVID

Conexão da Graça disse...

Lata de graxa negra outra marrom, escova de dente para passar a graxa nos sapatos, e uma escova de sapato para dar brilho. Me lembro bem dessa cena com meu pai também Guiomar.

Na foto seu pai é muito parecido com vc.

Lindo testemunho! Doces lembranças da nossa adorável história.

Sou saudosista inveterado, e um dos meus prazeres é sentar e ouvir as histórias dos antigos. Eu viajo no espaço e no tempo!

Me explica uma coisa que o tico e o teco entraram em pane: No texto Igreja perseguida, Pr. Jair Rocha é o seu paizinho ou o maridão? Até então achava que era seu maridão!

Curiosidades de um PENTELHÃO! rsrsrs

Um BEIJÃO minha mana!

Guiomar Barba disse...

kkkkkkkkkk uai Franklin, meu maridão é o David Barba. É que o nome do meu pai é Jair Vieira da Rocha e Jair da IEP é junior. Entendeu?

Obrigada pela visita, eu tambem gosto muito das histórias dos antigos.

Beijão.

Pr. Carlos Roberto disse...

Olá Guiomar,

Graça e Paz!

Recebi seu convite por e-mail. Já estou te seguindo e também incluí seu blog no meu bloglist lá no Point Rhema.

Parabéns pelo blog. Prossiga...

Um grande abraço!

Seu conservo,
Pr. Carlos Roberto
Point Rhema

Perfume de Cristo disse...

Graça e Paz
obrigada pelo convite/e-mail,pra conhecer seu Blog.Gostei e já estou seguindo.
Em Cristo,
Cláudia Mariz

http://saronperfume.blogspot.com

Eduardo Medeiros disse...

muito legal, gui. nossos pais sempre tiveram boas histórias para contar. o meu, ainda o tenho e ele continua contando histórias.

Anônimo disse...

ele era maravilhoso gostava de brincar comigo, uma pessoa de Deus maravilhoso!! parabéns pela homenagem!

Guiomar Barba disse...

Obrigada Anônima Bebel, sei que você só conseguiu publicar seu comentário como anônima. Você era uma criança linda naquela época.
Beijão

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