segunda-feira, 17 de outubro de 2011

BUSCAS


O mais perigoso tipo de ateísmo não é o ateísmo teórico, mas o ateísmo prático. Este é o mais perigoso tipo. E o mundo, e mesmo a igreja, está repleta de pessoas que prestam culto com os lábios em lugar de um culto com a vida.” Martin Luther King

Nestes tempos modernos, quando se busca na sociologia, psicologia, antropologia e tantas outras ciências, respostas para as interrogações da alma, do intelecto sedento dos seres humanos sem contudo, encontrarem-se respostas que acalmem as ansiedades e questionamentos os libertando assim dos seus  medos. Medos que os mantém reféns de sombras que ameaçam... Voltamos a um passado não muito longe, que nos faz entender que em todos os segmentos a mesma busca se repete.

Em meio à igreja ortodoxa, inúmeras pessoas em todo Brasil, fartos de belos sermões, de uma liturgia impecável, começaram a se reunir em casas, garagens, em busca de algo que transcendesse a uma espiritualidade fabricada por dogmas humanos.

Contra esta proposta se levantaram homens, contrários ao novo, ao desconhecido, como é comum em toda tentativa de mudanças. No entanto, os que realmente ansiavam por revelações mais profundas do Espírito Santo, lutaram com garra e venceram.

Lembro-me do teólogo Pr. Renê P. Feitosa que, após elaborar com firmeza e indignação sua tese contra o batismo com o Espírito Santo, já preparado para dirigir-se ao local onde faria sua defesa para os diversos pastores reunidos que corroboravam com ele da mesma revolta contra os “rebeldes”, caiu em sua sala, falando em línguas estranhas. Esta notícia se espalhou em rápidos minutos, provocando risos e telefonemas assombrados entre a população evangélica de Goiânia – GO.

Lembro-me que muitos pentecostais que também visitavam as reuniões dos antigos ortodoxos, agora renovados, em busca de novos entendimentos, ficavam maravilhados, dizendo como os judeus: Deus então visitou também aos gentios?

O tempo passou e com ele as experiências que acalentaram e deram novo ânimo aos evangélicos batizados neste movimento.

Vieram, no entanto, após o advento, as doutrinas “responsáveis” por manter o povo sob o fogo do Espírito. Os líderes carismáticos, que amedrontavam o povo com libertações escandalosas; com proibições ridículas, como “não toques”, “não manuseies”, “não proves aquilo”. E em tudo vendo demônios...

O movimento adoeceu e deu lugar ao movimento gospel, que está repleto de insanidades espirituais, comércio em várias áreas, líderes televisivos aproveitam a fome espiritual de um povo já histérico por tantas inverdades, por tantas profecias mentirosas, que vai de um lado a outro em busca não de sermões bem construídos e até coerentes, mas com sede e fome de algo que transcende ao saber do homem, que responda as indagações do seu espírito cansado de palavras de sabedoria humana.

“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, Eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra. ( 2 Crônicas 7.14).

Sem alarde nem desespero, mas em confiança, sabendo que o Senhor é galardoador dos que O buscam; sozinhos ou com outros, ou alguém que esteja no mesmo espírito, podemos buscar do Senhor uma mais profunda intimidade com Ele; sabedoria, poder para caminhar nos passos do nosso Mestre, e o Espírito Santo que nos assiste em nossas fraquezas, estará pronto para nos levar a sermos sal, luz e contribuir para que o Reino de Deus se faça visível neste mundo tenebroso.





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15 comentários:

disse...

Seu artigo é muito bom mana. Eu me lembro desta época também, em que muitos foram tidos como rebeldes por ter tido uma experiência com o Espírito Santo, eu fui uma, POIS ERA de uma igreja histórica. rss

E realmente hoje não se ver mais isso, pois o gospel tomou conta de tudo. E digo mais, a sociologia, psicologia, antropologia que você citou acima, em que muitos em todo seguimento há esta busca, sedentos e sem respostas. Saiba, que levaram para dentro das igrejas e só piorou a situação. Levaram, a auto ajuda e esqueceram da ajuda do alto. Por isso estamos vivendo tudo isso hoje. Gostei muito do seu artigo! bjs!

TEMPO DE V-I-D-A disse...

Muito bom esse texto. Concordo plenamente contigo.
Toda tentativa de mudanças, causa revolta de quem se acomodou mas também tem trazido frustrações para quem espera por alguma libertação.
Veja o momento atual da Igreja: Pessoas estão saindo e formando pequenos grupos, e sempre existem os de plantão dizendo que está errado, que não é de Deus.
Outros (como eu) defendem a conversão a Cristo, mas deixando religião de fora, e aí todos acham que são um bando de rebeldes, de mundanos, por que ignoraram o "santo" rótulo religioso.
Enfim, a Graça nunca foi aceita por aqueles que se alimentam da lã, da pele e do sangue das pobres ovelhas.
Abçs.
Márcio

Viviane Jácome disse...

Certo dia conversando com um irmao, me contou que saiu junto com sua familia de uma conhecida denominação. Não suportavam mas estarem la, e nao sentirem a presença do Espírito Santo. Viviam sufocados com regras insanas, proibiçoes e outros absurdos. Resolveram que se reuniriam em casa, toda a familia. A tal denominação, reagiu contra. Os chamaram de desviados, que o inimigo tinha feito a cabeça deles. Existem diversas denominações, se alguem opta por estar em uma, e sente que de fato o evangelho genuino faz parte desse meio, não vejo impecilho para que continuem. Mas se por outro lado, como o caso desse irmao e sua familia, não tenho duvida de que o Espírito santo estara com eles em toda reunião em que Jesus seja o centro. Para mim continuarão a ser cristãos, meus irmaos, membros do corpor de Cristo.

Guiomar Barba disse...

Com certeza Vi, Jesus falou que não deveríamos deixar de nos reunir, não falou que teria que ser em um templo. Só não concordo com pessoas que ficam atacando os templos, como se as paredes fossem culpadas das insanidades que praticam as pessoas.

Beijo.

Carluca disse...

O Espírito Santo fala ao nosso coração. Muitas vezes não damos ouvidos, assim além de nos ferrar, nos desacostumamos a ouvir sua voz ou a paz no coração, ou mesmo a falta desta, com relação a alguma decisão e assim vamos extinguindo o fogo do Espírito...
A boa nova é que Ele está sempre esperando que nos voltemos, e aí qdo bebemos da fonte da água viva ficamos meditando porque perdemos tanto tempo cavando cisternas rotas.
Por outro lado, qdo nos habituamos a ouvir Sua voz, ao ponto de distingui-la do nossa voz interior (o q/ não é fácil), qdo nos habituamos a escutar a orientação do Espírito ficamos em paz com relação às decisões a tomar.

Eduardo Medeiros disse...

sabe, gui, o ser humano é um eterno insatisfeito. os fenômenos pentencostais realmente produziram muito barulho(literalmente, rs)no meio evangélico desde sua fundação lá nos EUA, na rua azuza.

mas temos que levar em consideração, que o cristianismo atravessou séculos sem ser pentecostal. todos os grandes pregadores reformados não eram pentecostais, assim como calvino e lutero.

a reforma foi um evento do pensamento teológico crítico e não do barulho das línguas.

saiba que nada tenho contra o fenômeno pentecostal, eu mesmo fui durante anos a fio um pentecostal batizado no espírito santo e falante de "outras línguas". conheço a experiência.

ser batizado e falar em línguas nunca foi atestado de idoneidade cristã, em muitíssimos casos, eram exatamente aqueles mais "santos e blablabladores" que mais demonstravam ter um psiquismo e moralidade adoecidos.

e prá fechar, quero discordar do grande luther king. não vejo o ateísmo como perigo. deus deu o direito ao homem de até não acreditar nele. mas perigoso são aqueles que dizem "andar com deus" e terem tão pouco da graça de deus.

beijos, ótimo texto.

Guiomar Barba disse...

Bom Edu, o assunto não é línguas estranhas, até porque não significa poder para testemunhar e é o menor de todos os dons. o Tema é que Deus está a disposição de todos quanto O busquem em espírito e em verdade.

O ser pentecostal não significa detectar poder do Espírito. Os presbiterianos, batistas, congregacionais, etc podem ter uma vida cheia do Espírito Santo.

Beijo.

Paulo Sempre disse...

Estimada e mui «nobre» amiga, Guiomar.
Obrigado pela visita ao meu blogue.
Já tinha saudades de ler as suas palavras e, mais uma vez, admirar a força da sua fé.
Na certeza de que esta tudo bem consigo e com os seus, aqui fica a minha manifestação de imensa amizade com um beijo desde Portugal
Paulo

Eduardo Medeiros disse...

gui, você é uma cristã do seu tempo, mas não era assim que pensavam nossos pais.

desculpe ter enfocado demais o pentecostalismo. beijos

Mariani Lima disse...

Guiomar, seu texto me fez lembrar de algumas experiências que vivi. Me fez lembrar de pessoas q hoje estão afastadas não só da igreja, mas que abandonaram tudo por causa de traumas criados dentro do lugar que supostamente é um hospital, um lugar de cura: a igreja. Quem começou a vida evangélica por volta dos anos 90 viu muitas mudanças acontecendo, muitos conceitos sendo substituídos, presenciou um crescimento numérico do evangelho e muita falta de responsabilidade no uso das coisas sobrenaturais.
Vamos ver quais novos rumos o evangelho vai tomar nessa nação.
Beijinhos...

Rodrigo Phanardzis Ancora da Luz disse...

Oi, Guiomar.

Tudo bem?

Interessante a sua análise sobre a Igreja. Assim como hoje é tido como "novo" o movimento das pessoas buscarem um entrosamento comunitário, reunirem-se em células e optarem pela informalidade, um dia também foram considerados novos os movimentos de renovação e de busca do batismo no Espírito Santo a exemplo dos pentecostais e de grupos posteriores. Lembro que, uns 20 anos atrás, o ministério de Valnice despertava muitas controvérsias no Brasil. Uns a apoiavam dentro do meio batista enquanto outros a combatiam ferozmente...

Por outro lado, houve também o movimento da Teologia da Libertação que cresceu bastante na América Latina, mais entre os católicos, ainda que alguns pastores evangélicos tenham aderido-o.

Hoje tenho meus questionamentos até em relação ao movimento pentecostal ou de renovação daquela época, assim como mantenho o meu olhar crítico sobre a atualidade já que o fato de um grupo reunir-se informalmente, por si só, não significa necessariamente um grande avanço.

De qualquer modo, a boa notícia é que Deus não é pentecostal, nem ortodoxo, nem católico, nem evangélico, nem se restringe aos acontecimentos das pequenas células ou das reuniões em grandes templos. Ele é o Altíssimo, o Onipotente e o Onipresente. É o Rei de todo o Universo e que se encotnra acima de tudo e de todos. Acima de quaisquer concepções e acessível a quem o buscar de todo o coração.

Grande abraço e obrigado pelas visitas que tem feito em minha página.

Guiomar Barba disse...

Mariani, o que dói é isto, que nem todos sabem discernir o que é Espírito e o que é infantilidade. E aqueles que não tentam se aprofundar para saber por aonde ir, terminam amargurados e embrulhando tudo em um mesmo pacote.

Ainda espero a purificação da doutrina de Cristo.

Beijo.

Guiomar Barba disse...

Pois é Rodrigão, não é bastante cair fora das igrejas e fazer seu grupinho. É necessário saber ser sal, ser luz, e isto só com a busca do poder do Espírito Santo.

Gosto de visitar você. Beijão.

Eúde Amor disse...

Interessantíssimo o texto.

A parte negativa disto tudo é que o movimento gospel, por ser heterogêneo em sua composição, acaba sendo desacreditado por parte de muitos que, confusos, buscam realmente pelo Espírito Santo, mas por estarem fartos de falácias, truques, falta de testemunho verdadeiro e falsas promessas de um evangelho fácil, acabam afastando-se do caminho árduo, porém recompensador.
Mas, como disse Jesus, a nossa parte é deixar crescer junto o joio e o trigo e no tempo certo, Ele mesmo separará.
abraços

Guiomar Barba disse...

Muito boa reflexão Eúde.
A nossa esperança é que sabemos que aqueles que de fato buscam ao Senhor, não serão confundidos.

Abração.

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