quarta-feira, 10 de outubro de 2012







Vivendo com propósitos
Lucas 13.31-35
        
         Quando se vive com propósitos, temos forças para vencer os obstáculos, uma pessoa que tem propósitos definidos, é menos propensa a depressão, pois a mente ocupada, tem maior resistência no tocante às frustrações da vida.
         A força do propósito levou Santos Dumont a tentar 13 vezes levantar vôo com a seu 14 Bis, pois o nome mostra que somente na décima quarta vez ele conseguiu o seu objetivo, ele não desanimou, o seu propósito era maior do que os obstáculos que enfrentou, por isso colocou o seu nome na história.
         Os grandes nomes da história viveram com tal intensidade os seus propósitos que nada os detiveram, foram incansáveis, o desejo de conseguir o que se propôs a foi o combustível para a sua perseverança.
         Jesus mais uma vez é um modelo impar na história, ele tinha propósito bem definido, ir até a cruz, consumar a obra da redenção e enfrentou diversos obstáculos, mas deixou lições valiosas para quem quiser ir até o fim em seus objetivos, ele enfrentou todo o tipo de adversidade, mas nada o deteve.
         No Evangelho segundo Lucas 13.31-35  Jesus agiu diante dos obstáculos que surgiram para o tirar de seus propósitos, e podemos aprender com ele como fazer para que os obstáculos não nos desviem de nossos propósitos.

Se viver com propósitos: Cuidado com conselhos de pessoas que não querem o seu bem, mas oculta as suas reais intenções com conselhos que parece bom[i].

Os fariseus não tinham interesse no bem estar de Jesus, pelo contrário, eles eram invejosos, queriam de qualquer jeito desviar Jesus de seus propósitos, e estavam dispostos a tudo para isso, até mesmo demonstrar “preocupação” com o seu bem estar, veja na fala: “Retira-te daqui e vai porque Herodes quer matar-te[ii]” acontece que eles também queriam colocar Jesus em situação de risco sempre procurando algo para o acusar.

“Saindo Jesus dali, passaram os escribas e fariseus a argüi-lo com veemência, procurando confundi-lo a respeito de muitos assuntos, com o intuito de tirar das suas próprias palavras motivos para o    acusar”[iii].

         O que leva alguém que não quer o bem do outro dar um conselho para preservar aquele que ele quer destruir? A maldade humana usa até mesmo, gesto de bondade para esconder a maldade, há uma camuflagem tão maquiavélica que se for para prejudicar aquele que é alvo da inveja, vale até fingir que está preocupado com o seu bem, quando na realidade quer o destruir!
         Conselhos não são dados para ser acatados, mas para ser julgados, a bondade de um conselho não pode ser qualificado por livrar ou não quem o recebe dos obstáculos, mas até que ponto o livramento dos obstáculos poderá  o tirar do alvo.
         Os adversários dos nossos objetivos estão dispostos até a usar a “bondade”, como forma de “maldade”, visto que o fim último do invejoso é impedir aqueles que perseveram em seus objetivos a conseguir aquilo a que se propôs!
         Às vezes na “má” - temática da vida, que nunca é exata, o grau de adversidade, é proporcional a grandeza do propósito, Jesus sabia dessa realidade afinal nenhum homem viveu com propósitos tão sublime quanto Ele.
         Não era só Herodes adversário dos seus propósitos, mas os próprios fariseus que se sentiam ameaçados, devido à leveza do fardo que Jesus propôs aos seus seguidores. O termômetro que mede a grandeza do propósito está na adversidade a ser enfrentada para realizá-los, “Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará em suas mãos”[iv].
Nunca aceite conselhos de ameaças, que somente “pré” - vêem as dores que você enfrentará, pois essas, outros podem ver, mas a alegria da realização nem sempre vemos ou “pré” - vemos, mas experimentamos:

“Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si. Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu”[v]

        
Se viver com propósitos: Defina prioridades, pois Jesus definiu o que iria fazer em três dias, e não sabemos sequer se temos um dia para realizar aquilo que desejamos.[vi]

         Jesus colocava os seus propósitos acima de qualquer ameaça, não permitia que ninguém determinasse quais deveriam ser as suas prioridades, naquele momento da sua vida, ele sabia que só tinha mais três dias, e já tinha traçado a sua estratégia de como alcançar o que havia determinado:

“Ele, porém, lhes respondeu: Ide dizer a essa raposa que, hoje e amanhã, expulso demônios e curo enfermos e, no terceiro dia, terminarei. Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã e depois, porque não se espera que um profeta morra fora de Jerusalém. (Lucas 13:32-33).   

        
         Jesus tinha duas prioridades antes de conseguir o seu propósito, expulsar demônios e curar enfermos, e fala que no terceiro dia teria êxito, mesmo com todas as ameaças, ele teve firmeza.
         Quem quer realizar os seus propósitos, deve ter firmeza de convicções, ser destemido, não se intimidar com ameaças, enfrentar as oposições que muitas vezes são explicitas, mas também podem ganhar uma forma implícita, sutil, camuflada por pessoas cheias de maldade, com estereótipo de bondade, usando uma fala de bem, para ocultar o mal, mesmo assim Jesus, não se intimidou, estava caminhando para a morte, mas essa não o assustava pois era para isso que tinha vindo.
 Quando temos convicção do que queremos nada pode intimidar, nem ameaças externas, tão pouco internas, o que  assusta a muitos, podem ser alvo de nossos desejos, e aquilo pelo qual lutamos e desejamos não pode ser objeto de medo!
Quem tem propósitos deve ter planejamento, não sabemos quanto tempo temos, mas podemos ter esperança que teremos tempo para realizar, o tempo que teremos não podemos definir, mas o que faremos com o tempo que tivermos,  devemos programar!



Se viver com propósitos: Entenda os seus propósitos nem sempre serão aceitos pelas pessoas que você ama nunca as force, pois Deus deu a elas até o direito de rejeitá-lo! (Lucas 13.34)

“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir teus filhos como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas, e vós não o quisestes”!

O livre arbítrio é a liberdade que temos de optar por escolher os propósitos de Deus para a nossa vida, ou rejeita-los, é a liberdade que temos de dizer não para Deus, mas precisamos ter consciência que a liberdade só vai até a decisão da escolha, podemos rejeitar Deus e dizer não para Ele.
Ele não vai obrigar-nos a agir contra a nossa liberdade, da mesma forma temos que respeitar a liberdade dos outros, às vezes ao fazer os nossos planos incluímos pessoas que não querem o mesmo que nós, enquanto as queremos juntos, elas desejam estar longe.
Jesus entendeu, aceitou a rejeição, queria o melhor, mas para o objeto do seu desejo o melhor seria não estar com Ele, sentiu-se frustrado, lamentou, entristeceu, mas respeitou o direito de escolha! Da mesma forma devemos entender que as pessoas que amamos, também podem rejeitar o que de melhor queremos dar a elas, ficaremos tristes, frustrados, decepcionados, mas não devemos cometer o erro de querer que elas aceite a força aquilo que queremos para elas.
Às vezes usamos o argumento que queremos o melhor, mas quem deve decidir o que é melhor para si e a própria pessoa, devemos lutar ir até elas como fez Jesus que mesmo sabendo que seria rejeitado não desistiu de Jerusalém: “Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã e depois, porque não se espera que um profeta morra fora de Jerusalém. (Lucas13:33).
Devemos lutar por quem amamos fazer o que for possível para protegê-las, ir até elas, enfrentar todas as oposições, e mesmo sabendo que podemos ser rejeitados juntamente com nossos projetos em relação a elas, deixar que elas tomem a decisão, se vai ou não nos acompanhar, esse é o prazer da liberdade de quem tem o direito de dizer não, e a dor de quem sente a rejeição!

Se viver com propósitos: Não se sinta culpado pelas decisões de quem você ama, a liberdade é um direito de escolha, mas a escolha uma vez feita traz conseqüências inevitáveis!  (Lucas13.35)

“Eis que a vossa casa vos ficará deserta. E em verdade vos digo que não mais me vereis até que venhais a dizer bendito o que vem em nome do Senhor”!

         Olhando para a tristeza de Jesus ao ver Jerusalém o rejeitar, ao mesmo tempo em que ele diz que outras vezes isso já tinha ocorrido, certamente ele se referia a história de Jerusalém que sempre se desgarrava dos propósitos de Deus.
         A rejeição de Jerusalém a Jesus, mostra que Deus pode ser rejeitado, e que não forçará o homem a aceitar os seus propósitos, mas toda ação tem uma reação, não uma ação de Deus como vingança pela rejeição, mas as conseqüências de rejeitar livremente a Deus, traria  para Jerusalém, o domínio das nações, escravidão e perseguição, não porque Deus iria se vingar, mas as conseqüências de uma nação que mais uma vez rejeitou os propósitos de Deus, iria sofrer as conseqüências da sua liberdade de escolha.
         Muitos carregam a culpa por pessoas que resolveram seguir os seus caminhos, e ficaram em situação de desolamento, decepções, olham para o outro e sentem-se culpado por não ter feito mais do que fez, acham até mesmo que deveriam usar a força para que o outro compreendesse que estava rejeitando algo que não deveria ser rejeitado.
         Marido que se culpa por não ter persuadido a mulher à não tomar a decisão que tomou, pais que se culpam por que os filhos fizeram escolhas que hoje estão sofrendo as conseqüências, alguns  interpretaram erroneamente esse versículo de provérbios “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele”. (Provérbios 22:6).
         Precisamos observar que “ensinar” na cultura judaica, é diferente da metodologia aplicada no ocidente, pois “ensinar” é a atitude daquele que transmite o conhecimento, fazer na prática, aquilo que deseja que o aluno “aprenda”, ou seja, é uma dialética entre o sujeito e o objeto do ensino, não é uma transmissão de mandamentos, para se gravar no intelecto!
         A Pedagogia não pode ser subjetiva e sim objetiva, a criança aprende conceitos abstratos através da associação com o que é concreto, ela não entende a fala do pai quando ele diz que a “ama”, mas se o pai a abraça e diz que a ama, ela irá associar o subjetivo “amor”, com o concreto “abraço”, isso quer dizer que a teoria e a prática na cultura Judaica cristã, não segue a epistemologia grega de que a teoria antecede a prática, mas sim que uma age e inter-age com a outra, juntas, de forma que a teoria necessita da prática, e toda prática tem uma teoria, ainda que essa nem sempre esteja explicita.
         O pai na cultura judaica não se preocupava em passar conceitos teóricos, mas a prática dos conceitos, visto que a mentalidade da criança, não decodifica o abstrato, a vida dúbia de muitos pais cristãos levou-os ao equivoco de que uma criança que vai a igreja aprende mensagens de conceitos , quando eles em casa agiam concretamente, em antítese aos conceitos da sua fala.
         Mas o que provérbios está falando é que uma criança que aprende com os pais olhando a sua prática de vida, pode até não seguir os passos dos pais, por terem livre arbítrio, mas terão consciência até a velhice do que aprendeu, pois a sua mente tem gravada não só as palavras, mas os atos, que associados às palavras gravaram de forma que jamais elas poderão culpá-los por ter seguido outro caminho! Isso deve tranqüilizar os pais, pois eles não podem ser responsáveis pelas decisões de seus filhos, quando esses tiverem a capacidade de decidir por Si, qual o caminho a seguir!
         Jesus advertiu que Jerusalém sofreria as conseqüências, se entristeceu por ter seus propósitos rejeitados, mas não tirou o direito de Jerusalém o rejeitar, no entanto, ele jamais se sentiu responsável pelo exercício da liberdade de quem o rejeitou. Não se culpe pelas conseqüências das decisões de pessoas que você quis inclui-las nos seu propósito, cada um é responsável pelas conseqüências das suas decisões!



[i] Lucas 13.31
[ii] Idem
[iii] Lucas 11.53-54
[iv] Isaías 53.10
[v] Isaías 53.11-12
[vi] Lucas 11.32-33

Por José Lima ( Professor, teólogo)





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