segunda-feira, 17 de junho de 2013

MAMÃE PARTIU FELIZ

Junho das chuvas; dos namorados; dos festejos; dos sanfoneiros animando as danças nos “arraiá"; dos balões enfeitando os céus; das quadrilhas; da esperança. Esperança de encontrar um par para a quadrilha, um par que fique para casar. Dizem que é o mês dos santos: Antônio; Luís Gonzaga; João e Pedro. É o mês das pamonhas; canjicas; milhos cozidos; pés de moleque; milho assado na fogueira e tantas ricas guloseimas. É o mês das saias rodadas, das blusas rendadas, das moças brejeiras, das bocas vermelhas, do licor de jenipapo do quentão e das simpatias e adivinhações. 


Um ano se foi quando entre esta apoteose de cores vivas, de sons vibrantes, imprensada em um carro que corria em alta velocidade, minha mente liberada, voava para o esquife onde encontraria talhada pela morte, em uma pedra de mármore, a mamãe. Lívida, tão pequena, a boca lugubremente calada. Não sei como estavam seus olhos, antes, tão expressivos... Não houve tempo para detalhes, as lágrimas banharam meu rosto, os soluços me sacudiram; entre lembranças, deixei que a levassem para o seu último leito.

Noventa e três anos de vida lhe foram, talvez, mais do que suficientes para que a natureza lhe baixasse a cortina. Ela voou para o seu repouso eterno. Não houve tempo de rir, de dizer adeus, de perceber lucidamente que sua alma partia. Com certeza, levada por anjos, ela despertou no Lar que tanto sonhou viver.

Todos os dias ela chega de mansinho a minha memória, e com gratidão eu louvo a Deus, porque ela não está mais aqui. Já não vejo seu corpo alquebrado, seus olhos cansados revolvendo o passado. Já não ouço seus suspiros profundos. Já não escuto seu silêncio paciente, pungente, esperando a hora de partir.

Sofrer, chorar por sua morte, seria evocar com saudades toda a sua dor. Seria de um egoísmo sem medidas, pensar apenas em mim. Escolho relembrar os hinos que ela gostava de cantar, entre eles especialmente este:http://youtu.be/grg9KpWqijI.



Seu corpo com certeza já está corrompido, mas o seu espírito está unido para sempre ao seu maior amor: JESUS. Até lá mamãe!

Por Guiomar Barba.



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3 comentários:

Anônimo disse...

Mas que mãe artista! hehehe
Muito belo!
Saudades de minha Vó!
Daniel Barba

Guiomar Barba disse...

Artes, elas fez muitas kkkkkkkkkkkk Escondia pão no bolso do paletó e na fronha para comer escondido. Se achasse bolo de chocolate fácil, a gente sabia que comeu por causa da boca que ela esquecia de limpar a lambuzeira kkkkkkkk

Duro a diabete...

Você foi um neto especial para ela.

Paulo disse...

Lamento o suceddido!! Que, onde quer que esteja, descanse em Paz.

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