terça-feira, 9 de dezembro de 2014

TRANSFORMADOS POR CRISTO

                          




"E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito." (2 Coríntios 3.18).


O Rubem Alves nos traz uma profunda reflexão fazendo uma analogia entre a transformação do milho em pipoca, através do fogo e o homem que só através do fogo se torna um novo ser. 

"Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre."


Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.


Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.

"Morre e transforma-te!" — dizia Goethe."

Trago a memória a belíssima reflexão do Pr. Irland Pereira de Azevedo.

A PRATA
Certo dia, um grupo de mulheres estudava o livro de Malaquias quando chegou ao capítulo 3, versículo 3, que diz: "Ele assentar-se-á como fundidor e purificador da prata(...)" Essa declaração intrigou as mulheres que se perguntaram o significado dessas palavras em relação ao caráter e à natureza de Deus. Foi quando uma delas se ofereceu para tentar descobrir como ocorria o processo de refinação da prata e, depois, voltar e contar ao grupo, na próxima reunião do estudo bíblico. 


Naquela semana, a mulher ligou para um ourives e marcou com ele dia e hora para assistir ao seu trabalho. Não lhe explicou a razão do seu interesse. Seria apenas curiosidade sobre o processo de purificação da prata, metal tão precioso. No dia prazado, enquanto ela o observava, o ourives mantinha um pedaço de prata sobre o fogo e o deixava aquecer. Explicou para ela que no processo de refinamento devia-se manter a prata no meio do fogo, onde as chamas eram mais quentes, a fim de se queimarem todas as impurezas do metal. Enquanto via aquilo, a mulher ficou a pensar em Deus a manter-nos num lugar tão quente assim. E refletiu novamente sobre as palavras "Ele (Deus) se assenta como um fundidor e purificador da prata". Intrigada, perguntou ao ourives se de fato era necessário que ele se sentasse o tempo todo defronte ao fogo, enquanto ocorresse o processo de refino. Ele respondeu que sim, e que não apenas tinha de sentar-se lá, segurando a prata, mas também devia manter os olhos firmes nela o tempo todo em que a peça estivesse no meio das chamas. Se a prata fosse deixada sobre o fogo além do tempo necessário, mesmo por um breve instante, acabaria destruída. A mulher silenciou e, finalmente, perguntou ao ourives: "Como o senhor sabe quando a prata está completamente refinada? "Ele sorriu e respondeu: "Oh, é fácil: quando eu vejo a minha imagem nela".  

O Rubem Alves conclui: "Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntos".




Quando tememos ao Senhor e o amamos com todo o nosso coração, o viver em obediência a Ele nos faz realmente felizes. À medida em que a pipoca vai sendo transformada, ela se goza, percebendo a sua beleza branca e suave. Assim, faz o Grande Ourives conosco.


Por Guiomar Barba.



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