sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

                                                       PAIS SEM CULPA

Ensina a criança no caminho em que deve andar e ainda quando for velho, não se desviará dele.” (Provérbios 22.6).

Sabemos que a melhor forma de educarmos os nossos filhos é sendo exemplo, é fazendo o discurso com a nossa própria vida. No entanto, o nosso correto procedimento não nos garante que eles trilharão o caminho certo, sem desvios. Temos como exemplo o próprio Salomão, que apesar de haver nos admoestado dizendo: Ouça, meu filho, a instrução de seu pai e não despreze o ensino de sua mãe. Eles serão um enfeite para a sua cabeça, um adorno para o seu pescoço," (Provérbios 1.8,9) o rei escolheu amar muitas mulheres e, quando na sua velhice, elas o induziram a voltar-se para outros deuses, assim o seu coração já não era totalmente dedicado ao Senhor, como foi o de Davi, seu pai. (1 Reis 11.4).

“Parafraseando” o versículo citado no cabeçalho se sentencia o clichê: “Pais que levam seus filhos para a igreja, não os visitam na prisão”. É sabido que os cárceres estão lotados de Paulos, de Pedros, de Elias, de Moisés, de Esters, de Rutes, de Déboras, de uma lista interminável de “figuras bíblicas” que foram regadas com lágrimas em profundas intercessões por pais cristãos exemplares. Outros, filhos de pais pseudocristãos. Outros, ainda, filhos de pais cristãos negligentes. Mas os resultados nem sempre mudam. Vejamos o exemplo dos filhos de um grande sacerdote: Samuel, ao despedir-se de Israel que exigira um rei, protestou: “O Senhor é testemunha diante de vocês, como também o seu ungido é hoje testemunha, de que vocês não encontraram culpa alguma em minhas mãos.” (1 Samuel 12.5) No entanto, os filhos do sacerdote não procederam à exemplo do seu pai, antes, tornaram-se gananciosos,  aceitavam subornos e pervertiam a justiça. 1Samuel 8.3b).

Com certeza o rei Salomão ainda era bem jovem quando escreveu o provérbio citado. Ainda estava no ardor do temor ao Senhor, comprometido com a sabedoria, e talvez houvesse testemunhado comportamentos segundo a sua afirmação e no seu coração guardava o desejo de seguir com integridade ao Senhor até o final da sua vida.
Cruzamos tantas vezes com famílias que apesar de não conhecer ao Senhor, educaram seus filhos com sabedoria, imprimindo neles uma acentuada coerência moral, formando assim, caracteres dignos. No entanto, foi necessário que tais filhos quisessem assimilar os ensinamentos.

Encontramos também pais em grande aflição perguntando-se onde erraram ou se estão sendo castigados. Ora, é necessário entendermos que nossos filhos fazem suas próprias escolhas e muitos se deixam aliciar por maus companheiros tapando os ouvidos e fechando os olhos para toda e qualquer tentativa que os pais se empenhem em usar para o bem deles, restando aos pais apenas a esperança de que ainda que seja pela dor, eles entendam que “Há caminho que parece certo ao homem, mas no final conduz à morte.” (Provérbios 14.12).

Portanto, pais, não se culpem pelas escolhas erradas dos seus filhos. Não tentem tampouco projetar através deles seus sonhos frustrados.  Como tão belamente nos aconselha Khalil Gibran: “deixem que como flechas eles percorram os seus próprios caminhos, lembrando que somos o arco do qual nossos filhos são arremessados”.

Por Guiomar Barba





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Um comentário:

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Olá, Guiomar.

Feliz 2016!

Deve ser mesmo muito triste e frustrante para um pai/mãe ver o(a) filho(a) preso numa cadeia. Mas, realmente, não considero producente o genitor ficar se culpando pelo fracasso moral de seu descendente querendo saber "onde foi que eu errei". Os maus exemplos ou as omissões paternas podem influenciar o filho, mas não seriam jamais causas exclusivas. Até porque existem filhos de bandidos que não seguem o caminho dos pais e o livro de Reis, na Bíblia, ilustra bem quando fala dos monarcas de Judá que resolveram andar nos passos exemplares de Davi enquanto outros não. Todavia, considerando a nossa falível natureza, potencialmente capaz de reincidir nos mesmos erros do passado, devemos buscar promover a recuperação ética do indivíduo não importa em que situação a pessoa esteja. Sem nos iludirmos com a perfeição da espécie, importa que busquemos promover o seu bem.

Abraços fraternos.

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