segunda-feira, 23 de maio de 2016

NO DESERTO


“... Jesus viu o céu se abrindo e o Espírito descendo como pomba sobre Ele. ...Logo após, o Espírito o impeliu para o deserto. Ali esteve quarenta dias, sendo tentado por satanás. Estava com os animais selvagens e os anjos O serviam.” (Marcos 1.10,12,13).

Obedeço viver quarenta anos no deserto aprendendo com o Espírito Santo. Após este mosteiro, quero ser enviada no tempo de Deus, do modo de Deus. Mas cheia de um sensato medo, questionar como Moisés, (Êxodo 3.11), reconhecendo minhas limitações: quem sou eu para servir-Te?

Não quero ir munida da teologia do Calvino ou do Armínio. Não quero ir pertencendo a Paulo ou a Pedro, mas como serva do Senhor dos Exércitos, para aquilo que Ele me designar. Não tenho ideia de quanto tempo Deus continuará me burilando. Mas sei que o deserto é árido, cheio de fantasmas e noites negríssimas. Mas apenas nele, podemos descobrir o quanto ainda há de restolhos dentro de nós.

No deserto, às vezes você não quer ler a bíblia; outras vezes devora a bíblia. Às vezes você não quer orar; outras vezes você passa horas e horas se derramando diante do Senhor com orações, súplicas e intercessões. Muitas vezes seu coração fica profundamente magoado com Deus; outras vezes você fica constrangido com a paciência dEle com você. Várias vezes você fica com raiva de Deus; Outras vezes você fica profundamente arrependido por não amá-Lo como Ele é digno. Outras vezes você é dominado por uma auto piedade que beira a depressão; outras vezes sua autoestima vai a picos. Por várias vezes você deseja a morte; outras vezes você sente uma intensa gratidão pelo dom da vida. Várias vezes nada do que você faça lhe traz prazer; outras vezes você dança sozinha, mesmo que só você escute o som da música.  Em muitos momentos você se sente totalmente abandonada; noutros momentos você percebe a presença constante do seu Pastor.

Ás vezes você tem uma terrível tendência a sentir-se inútil, como canta o Chico: “Há dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu/O tempo estancou de repente ou foi o mundo então que cresceu...”; outras vezes você sente que a sua vida está como um vaso na roda do oleiro. Às vezes você pensa que Deus está zombando da sua dor, que você é um idiota, achando que Deus realmente se importa com você; para depois acreditar que Deus vai usar você de um modo maravilhoso. Outras vezes você se sente a própria "Gabriela" cantando: "Eu nasci assim/ Eu cresci assim/ e sou mesmo assim/ vou ser sempre assim...", de repente se vê aos pés de Deus, ouvindo-O lhe dizer: “Não acredite nisto! Sua vereda é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.” (Provérbios 4.18)

De uma coisa temos certeza: “os melhores marinheiros foram forjados em tormentas.” Também sabemos que foi em uma tempestade que os discípulos reconheceram que ao seu Mestre, até mesmo o mar e os ventos obedeciam. (Marcos 4.41). Foi navegando em um furioso mar que um anjo apareceu ao apóstolo Paulo e lhe disse: “não tenha medo!” É preciso que você compareça perante César. Deus na sua graça, deu-lhe a vida de todos que estão navegando com você". (Atos. 27.24).

Foi no deserto que “Elias foi alimentado por um anjo, e fortalecido com aquela comida, viajou quarenta dias e quarenta noites, até chegar a Horebe.” (1 Reis 19.8).
O deserto pode ser um lugar de apenas miragens, quando não atentamos para o Senhor que nos guia numa coluna de nuvem durante o dia e durante a noite numa coluna de fogo. (Êxodo 13.21,22)

O nosso comportamento, e a nossa confiança em Deus, no deserto, determinará se sucumbiremos sob o sol causticante, sob a negridão da noite ou se chegaremos burilados na terra prometida.

Por Guiomar Barba
Correção: Carlos Bompastor.









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